Tem sido possível “equilibrar os interesses” em torno da prestação de cuidados de saúde aos portugueses, disse Manuel Delgado, ao intervir no auditório do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), na abertura das comemorações do aniversário do SNS.

“O SNS foi, provavelmente, nas políticas públicas, o modelo mais consequente e com melhores resultados” ao longo do processo de democratização do país, desde a revolução do 25 de Abril, acrescentou.

O secretário de Estado recordou que houve “momentos de tensão” nestes 37 anos de Serviço Nacional de Saúde, designadamente entre oferta e procura de cuidados, além de “tensões provocadas por sensibilidades ideológicas diferentes”.

“Temos, felizmente, conseguido equilibrar estes interesses”, afirmou.

Manuel Delegado enumerou vários índices da saúde em Portugal antes e depois da criação do SNS, em 1979, uma medida política que teve como principal impulsionador o advogado e escritor António Arnaut, do PS, então ministro dos Assuntos Sociais do segundo Governo liderado por Mário Soares.

Há 40 anos, por cada 1.000 crianças nascidas em Portugal, 70 morriam nos primeiros tempos de vida, enquanto atualmente verifica-se uma relação de três mortes por cada 1.000 nados vivos.

Trata-se de “uma das melhores” taxas a nível mundial no domínio da mortalidade infantil, referiu.

Para ilustrar os avanços do país na saúde, na sequência da criação do SNS, o governante salientou ainda, por exemplo, que o Estado investe atualmente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na saúde, contra apenas 2% do PIB antes de 1979.

Por seu turno, o reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, disse que os médicos do SNS enfrentam, 37 anos depois, um desafio “cada vez mais pesado”.

Na sua opinião, “o desafio principal é saber se também se quer transformar” a saúde e o SNS “num produto de conhecimento” que possa contribuir para dinamizar a economia nacional.

João Gabriel Silva defendeu que hospitais e outras instituições do setor poderão produzir “um conhecimento depurado” que possa ser aplicado em Portugal e noutros países, o que passaria por uma “decisão estratégica”.

“O conhecimento em sentido lato deve passar a fazer parte do Serviço Nacional de Saúde”, preconizou, ressalvando que existem já “algumas ilhas de produção de conhecimento científico” neste campo.

Para o reitor da UC, o SNS deverá constitui-se como “uma fator de atração de doentes, médicos e outros profissionais de saúde” de fora do país.

“Gostaríamos de ter uma colaboração muito mais intensa com todas as estruturas de saúde, partilhando esse objetivo”, acentuou.

João Gabriel Silva defendeu ainda que o SNS “é para Portugal e para o mundo”, apesar das dificuldades financeiras.

“Nunca tivemos recurso infinitos, nem nos tempos gloriosos dos Descobrimentos”, concluiu.

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