Greta Thunberg é hoje uma das vozes mais conhecidas na defesa do ambiente e as greves climáticas que iniciou são agora seguidas por milhões de jovens do mundo inteiro.

"Não podemos continuar a viver como se não houvesse amanhã, porque há um amanhã", disse Greta Thunberg à Time. "É tudo o que estamos a dizer", resumiu.

A fotografia da ativista que faz capa na Time foi tirada a 4 de dezembro, em Lisboa, e é da autoria de Evgenia Arbugaeva.

A distinção é conhecida no dia em que a jovem foi à Cimeira do Clima de Madrid (COP25) acusar os países de procurarem desculpas para poluir.

Greta Thunberg é uma adolescente sueca que em agosto de 2018 decidiu começar a faltar às aulas todas as sextas-feiras para protestar junto do parlamento sueco, exigindo medidas sérias no combate às alterações climáticas.

Os seus esforços para aumentar a consciencialização para a crise climática tornaram-se globais e no dia 24 de maio de 2019, uma sexta-feira, mais de um milhão de jovens de mais de 100 países faltaram às aulas para exigir medidas dos governos no combate às alterações climáticas.

Recentemente, Greta Thunberg foi homenageada com o chamado Nobel Alternativo pela fundação Swedish Right Livelihood Award e foi indicada para o Prémio Nobel da Paz por três deputados noruegueses (o prémio foi entregue ao primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, pela sua iniciativa de resolver o conflito na fronteira entre o seu país e Eritreia).

A adolescente sueca começou um período sabático no verão para viajar para os Estados Unidos e poder participar na cimeira climática realizada no mês passado na sede da ONU em Nova Iorque, bem como na Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que decorria no Chile em dezembro.

A sua recusa em viajar de avião para evitar emissões poluentes levou a jovem a atravessar o Atlântico num veleiro e a usar autocarros e comboios para viajar nos Estados Unidos.

Porém, a alteração inesperada do local (da capital do Chile para a espanhola) obrigou-a a voltar a embarcar, desta vez num catamarã, para fazer a viagem ao contrário e chegar a tempo a Madrid, sem ter de apanhar um avião, e com passagem por Lisboa.

Na capital portuguesa a jovem foi recebida junto da Doca de Santo Amaro pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e por jovens ativistas.

À data, Greta Thunberg disse que “as pessoas subestimam a força das crianças zangadas”, reforçou a urgência de se combater as alterações climáticas e pediu ao poder político para dar ouvidos à ciência.

Este tem sido, de resto, o essencial da mensagem da jovem ativista sueca: é urgente agir. Os oceanos vão subir, as cidades inundar, milhões vão sofrer com as alterações climáticas.

A jovem sueca tem 16 anos, mas parece ter 12 e muitas vezes usa o cabelo trançado — a sua imagem de marca. Greta Thunberg tem síndrome de Asperger, o que significa que não opera no mesmo registo emocional de muitas das pessoas com quem se encontra, explica a Time. A jovem não gosta de multidões, ignora conversa de circunstância, é muito direta e descomplicada quando fala.

"Ela não se deixa bajular ou distrair, não fica impressionada com a celebridade de outras pessoas e não parece ter grande interesse na sua fama crescente. Mas estas qualidades fizeram dela uma sensação global", escreve a revista.

Tudo começou para Greta Thunberg quando uma professora mostrou na escola um vídeo com os efeitos das alterações climáticas: ursos polares esfomeados, situações climáticas extremas, inundações. A docente explicou que a causa de todos aqueles fenómenos eram as alterações climáticas. Os alunos ficaram consternados, mas a maioria seguiu em frente. Não foi o caso da jovem Greta, que se começou a sentir extremamente sozinha, conta a Time.

Aos 11 anos acabou por entrar numa depressão e durante meses praticamente deixou de falar e comia muito pouco, quase sendo hospitalizada.

"Eu não conseguia perceber como isso poderia existir, essa ameaça existencial, e ainda assim não era uma prioridade para nós", explicou a jovem. Num primeiro momento os pais procuraram assegurar-lhe que estava tudo bem, mas num esforço para confortar a filha começaram a mudar hábitos: deixaram de comer carne, instalaram painéis solares, começaram a plantar os seus próprios vegetais e eventualmente deixaram de viajar de avião.

"Fizemos tudo isto não para salvar o planeta, não nos preocupávamos com isso inicialmente, fizemo-lo para a fazer feliz e para lhe devolver vida", contou o pai de Greta Thunberg à revista. Aos poucos, a jovem voltou a comer e a falar novamente. O diagnóstico de Asperger ajuda a perceber a reação da jovem, uma vez que não processa a informação como a generalidade das pessoas.

Em maio de 2018, Greta Thunberg escreveu um texto sobre as alterações climáticas que foi publicado por um jornal sueco, tendo posteriormente sido contactada por ativistas ambientais que sugeriram que se protagonizasse um protesto — tal como aconteceu com os alunos da escola norte-americana Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, que protestaram contra o porte de arma nos EUA — mas houve quem se opusesse. A ideia, no entanto, ficou com a jovem, que mais tarde informou os pais que iria começar uma greve às aulas para pressionar o governo sueco a agir e ir ao encontro dos compromissos firmados no Acordo de Paris sobre o Clima. A ideia era que esta greve durasse até setembro de 2018, altura das eleições suecas.

Começou sozinha, mas outros se foram juntando e depressa se transformou num movimento.

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