Os trabalhadores ferroviários da CP, Medway e Takargo estão hoje em greve contra a possibilidade de circulação de comboios com um único agente.

“A CP lamenta profundamente que os passageiros estejam a ser prejudicados por esta greve […]. Desde há 20 anos que a regulamentação permite a circulação de comboios em regime de agente único, sendo que, no caso da CP, nunca se prescindiu de dois agentes na tripulação. A tripulação composta por dois agentes é regra na CP […], é o nosso compromisso, que foi, formalmente, apresentado junto da tutela e do Instituto da Mobilidade e dos Transportes [IMT]”, disse Carlos Gomes Nogueira.

O presidente da CP – Comboios de Portugal referiu ainda que a greve “não é coincidente com o clima de diálogo que a empresa tem procurado manter”.

“O acentuado impacto na vida das populações e na vida do país, decorrente da greve, foi potenciado pela decisão do Tribunal Arbitral, pelo facto de não ter decretado serviços mínimos, ainda que a CP tenha apresentado a proposta nesse sentido”, vincou.

E prosseguiu: “A CP realiza, em Lisboa, 1.200 comboios por dia e no Porto 300. No ano passado transportou 122 milhões de passageiros e este ano vai pelo mesmo caminho. São transportados, diariamente, cerca de 500 mil passageiros”.

O responsável disse também que o número de supressões, entre as 00:00 e as 16:00, é "superior a 84%".

Questionado sobre as acusações dos sindicatos, que apontavam para a ocorrência de ilegalidades, como maquinistas a substituir revisores e clientes com deficiência motora deixados em terra, Carlos Gomes Nogueira reconheceu ter conhecimento de algumas situações, mas lembrou que o segundo agente pode ter qualquer categoria profissional.

“Temos conhecimento de algumas ocorrências. O segundo agente não tem de ser necessariamente um maquinista, pode ser de qualquer categoria profissional. Eu próprio, se estivesse habilitado, poderia fazer de segundo agente, bem como qualquer quadro desta casa”, indicou.

O presidente da CP adiantou ainda que a greve dos ferroviários tem um impacto na ordem dos 1,3 milhões de euros e indicou que as supressões vão continuar até terça-feira.

“Esta paralisação tem um impacto na perda da receita diária na ordem dos 700 mil euros. Nos três dias, deverá andar próximo dos 1,3 milhões de euros”, disse Carlos Gomes Nogueira.

O responsável referiu ainda que as supressões, que se iniciaram no domingo – um dia antes do início da greve.

O Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante (SFRCI) disse hoje que a adesão à greve já suprimiu 85% dos comboios em todo o país.

Segundo o sindicato, a circulação deve estar normalização na terça-feira de manhã, por volta das 05:30.

(Notícia atualizada às 19h56) 

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