"Suspeitávamos que havia uma aceitação cada vez maior da tortura no contexto do auge do terrorismo, mas não nos dávamos conta de que a evolução era tão dramática", comentou à AFP Jean-Etienne de Linares, delegado-geral da Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (Acat). Segundo o relatório anual da Acat, 54% dos franceses inquiridos consideram justo que um polícia aplique descargas elétricas num suspeito de colocar uma bomba de forma a fazê-lo falar.

Em 2000, somente 34% concordava com isso, segundo inquérito da CSA para a Aministia Internacional. Uma percentagem de 36% das pessoas interrogadas, aceita "em alguns casos" a utilização da tortura, o que evidencia um aumento de 11 pontos em comparação com a pesquisa da Amnistia Internacional em 2000.

A evolução de uma tolerância crescente à prática da tortura de Estado por parte da opinião pública francesa é acompanhada por um desconhecimento do fenómeno da tortura, segundo a associação. A tortura não permite, segundo a Acat, obter informações confiáveis, e, ao invés, valida que os regimes autoritários aterrorizem seus opositores.

A Acat também observou o desenvolvimento na última década de um fenómeno novo: a tortura usada contra os migrantes por grupos criminosos com o objetivo de cobrar resgates, especialmente no Sinai egípcio e na Líbia, mas também no México com os migrantes da América Latina como alvos.

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