Em comunicado enviado à Lusa, o hospital acrescenta que a decisão sobre a referenciação para os centros de saúde “cabe sempre aos próprios utentes e é naturalmente opcional, sendo que a participação dos enfermeiros consiste apenas em explicar aos utentes as vantagens de optarem por ser observados no centro de saúde”.

“A responsabilidade pelo processo de referenciação, nomeadamente das questões relacionadas com o trajeto dos utentes do hospital para os centros de saúde, não é da responsabilidade dos enfermeiros, não podendo nunca serem-lhes imputadas responsabilidades”, vinca o comunicado.

Diz ainda que a participação dos enfermeiros é “totalmente voluntária”.

O Hospital de Barcelos reage, assim, às declarações da bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, que hoje disse que aqueles profissionais se estão a recusar a participar no projeto-piloto nas urgências do Hospital de Barcelos, que pretende que os doentes triados com pulseira verde e azul sejam encaminhados para os centros de saúde.

“Não é aos enfermeiros que compete, e é um risco enorme, mandar embora um doente que objetivamente tem uma queixa. Uma pessoa triada com verde e azul [as cores de menor prioridade na triagem das urgências] não significa que a sua situação, passado umas horas ou um dia, não tenha piorado. Não podem enviar as pessoas embora do serviço de urgência sem resposta, porque não compete aos enfermeiros”, indicou Ana Rita Cavaco em declarações à agência Lusa.

Falando no final da comissão parlamentar de Saúde, Ana Rita Cavaco acrescentou que, provavelmente, nem os médicos quererão assumir aquela responsabilidade, por motivos de segurança.

“Entendemos que as pessoas que vão ao serviço de urgência fazem-no com um problema para resolver, porque não têm resposta em outro sítio. Portugal não tem um sistema centrado nos cuidados de saúde primários. A solução não passa por mandar as pessoas embora [da urgência hospitalar], passa por organizar melhor os centros de saúde e dar resposta nos cuidados de saúde primários”, defendeu Ana Rita Cavaco.

Na resposta, o Hospital de Barcelos refere que na semana passada, “tendo em conta a posição contrária da OE, se realizou uma reunião com a equipa de enfermagem envolvida, “tendo os enfermeiros presentes manifestado o seu apoio e disponibilidade para continuarem a colaborar” no projeto.

Ainda segundo o hospital, os enfermeiros sugeriram que o Conselho de Administração articulasse com a Ordem, “de modo a esclarecer as dúvidas em relação às questões colocadas”.

“A participação dos enfermeiros neste projeto é totalmente voluntária, consistindo, resumidamente, em explicar aos utentes que reúnem requisitos específicos e que acabam de realizar a triagem de Manchester, classificados com as cores verdes ou azuis, de que dispõem, em alternativa, de uma consulta no centro saúde, no próprio dia, ou no dia seguinte. Trata-se assim de meramente informar os utentes sobre a existência de alternativas”, explica.

Acrescenta que a referenciação dos utentes pelos enfermeiros “decorre sem prejuízo da realização em tempo útil das restantes atividades, nomeadamente no cumprimento dos tempos previstos para a triagem de Manchester”, pelo que pode ser interrompida a qualquer momento, em função da carga de trabalho existente.

“Não esteve nunca excluída a possibilidade de os enfermeiros se recusarem a participar neste projeto, uma vez que se trata de uma experiência piloto”, diz ainda o hospital, sublinhando que “nunca da parte do Conselho de Administração existiu qualquer tipo de pressão para a referenciação no âmbito deste projeto”.

O Hospital de Barcelos esgrime um parecer do Conselho de Enfermagem da OE, datado de19 de março de 2018, que diz que o enfermeiro “pode e deve fazer referenciação de um utente/doente para o serviço de urgência ou para outro técnico de saúde que julgue ser o mais indicado, de acordo com a situação de doença aguda do utente/doente”.

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