Todos os anos, a paróquia de Nossa Senhora do Fátima de Lisboa organiza uma procissão na noite do dia 12 de maio, pelas ruas dos bairros mais próximos.

Este ano, devido à pandemia de covid-19 e à proibição de existirem ajuntamentos, cinco paróquias - São João de Brito, São João de Deus, Santa Joana, São Sebastião da Pedreira e Nossa Senhora de Fátima - organizaram uma “procissão” diferente e inédita.

“É uma forma de levar algum conforto às pessoas”, disse à Lusa o pároco de Nossa Senhora de Fátima, Luís Alberto Carvalho.

Poucos minutos depois das 21:00, o andor com a imagem de Nossa Senhora carregado por quatro homens saiu da Igreja São João de Brito, em Alvalade, ao som de “Avé Maria” oriundo de duas colunas colocadas num dos carros que integrou a ‘caravana’.

Cá fora, algumas dezenas de pessoas aplaudiram, enquanto outras repetiram o gesto tantas vezes visto nas cerimónias em Fátima e acenaram com lenços brancos.

Em algumas janelas, viam-se também pessoas a segurar velas e numa varanda três colchas enfeitavam o parapeito.

Em marcha lenta, com dois batedores da polícia municipal à frente, o carro vermelho dos Sapadores de Lisboa com a imagem de Nossa Senhora de Fátima partiu, então, do Largo Heitor Pinto para iniciar o percurso traçado por algumas ruas das cinco paróquias que organizaram a iniciativa.

Aqui e ali, algumas pessoas nos passeios, muitas com velas nas mãos, saudavam a passagem da imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Na Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres, 200 pequenas velas enfeitavam as escadas e as bermas do passeio e cerca de três dezenas de pessoas aguardaram pela chegada da imagem.

“É a nossa forma de dizer que estamos presentes, ficamos mais reconfortados”, explicou Maria João Rico, de vela na mão junto à estrada, em frente ao templo.

A seu lado, Maria Rosário Alves, também de vela na mão, contou que vai muitas vezes ao Santuário de Fátima.

“Normalmente não vou no 13 de maio porque não gosto de ajuntamentos, só lá fui uma vez nessa data, quando veio a Portugal o Papa Bento XVI. Mas agora, nem no 13 de maio, nem sabemos quando podemos lá voltar”, disse.

Por isso, esta noite decidiu sair de casa, que é perto da Igreja de São João de Deus, para ver a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

“Não é a mesma coisa, mas já é alguma coisa”, afirmou, com um encolher de ombros.

Quando a imagem passou, as pessoas que estavam espalhadas pelo passeio largo em frente à igreja, entre as quais algumas famílias com crianças, aproximaram-se da berma, levantaram as velas e acenaram com lenços brancos.

Já depois das 22:00, a imagem chegou à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, onde mais de duas dezenas de pessoas a aguardavam, novamente com velas e lenços brancos, que só pararam de acenar quando as pesadas portas de madeira do templo se fecharam.

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