“Passada uma semana da operação, estamos a começar a preparar os planos de intervenção, além da psicoterapêutica, acompanhamento emocional e reconhecimento dos direitos às pessoas”, indicou o responsável.

O relator Nacional para o Tráfico de Seres Humanos, Manuel Albano, falava à agência Lusa depois de reunir esta tarde com responsáveis do Alto Comissariado para as Migrações (ACM) para um ponto de situação das vítimas desta rede criminosa.

Segundo o responsável, os planos de intervenção têm caráter individual e visam a definição sobre o que é que as vítimas querem para o seu futuro.

“Se querem ficar ou se querem partir” para os países de origem, com “todas as ‘nuances’”, incluindo ao nível da “verificação da regularidade ou irregularidade de permanência em território nacional”, assinalou.

No caso de os imigrantes decidirem ficar a trabalhar em Portugal, referiu o relator, terão de ser tratadas “as questões laborais e da língua” e terá de se “verificar onde é que as pessoas podem ser enquadráveis”.

Caso pretendam voltar aos seus países de origem o trabalho é complexo, pois terão de ser encontrados “espaços de retorno assistido para evitar processos de revitimização”, realçou o responsável.

Admitindo que a elaboração dos planos possa demorar “semanas ou meses”, Manuel Albano notou que, para este trabalho ser concretizado, as vítimas “têm que estar bem” do ponto de vista emocional para “perceber a mensagem”.

“As pessoas estão tão sem ser pessoas em muitas situações que não têm noção e algumas delas até não têm noção de que foram vítimas de um crime, porque o seu padrão de convivência e de direitos até, não é o nosso padrão”, observou.

Nesse sentido, explicou o responsável, o trabalho das equipas sociais também passa pela realização de sessões de “literacia de direitos” para estes imigrantes.

De acordo com o relator Nacional para o Tráfico de Seres Humanos, alguns dos imigrantes que não precisaram de alojamento já “estarão a trabalhar e outros aguardam” para voltar aos seus trabalhos.

As autoridades tentam que as vítimas continuem nos mesmos locais onde já trabalhavam com “um enquadramento completamente distinto” do que tinham, ou seja, “diretamente com os proprietários” dos terrenos agrícolas, acrescentou.

Uma operação da Polícia Judiciária (PJ), em colaboração com outras entidades, permitiu deter, na semana passada, 35 pessoas pertencentes a uma rede criminosa que contratava trabalhadores estrangeiros para a agricultura no Baixo Alentejo.

No sábado, o juiz Carlos Alexandre determinou a prisão preventiva para 31 arguidos, oito dos quais com possibilidade de ficar em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, caso o relatório da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais que vai avaliar as condições pessoais e sociais seja favorável.

Os restantes quatro arguidos, todos portugueses, saíram em liberdade com Termo Identidade e Residência (TIR), proibição de contactos e apresentações periódicas diárias às autoridades.

Segundo o ACM, o número de migrantes apoiados no âmbito do desmantelamento desta rede de tráfico de pessoas ascende a 218, dos quais 62 foram encaminhados para alojamentos de emergência.

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