“Apesar de não ter feito uma leitura integral do documento, pelo que pude ver este relatório não traz muitas novidades àquilo que já tinha percebido no terreno, e como estive bastante próximo das ações, quer de combate, quer de rescaldo, muitas das conclusões a que este relatório chega eu já tinha percebido”, afirmou Rui André à agência Lusa.

Os dados do relatório que apontam para a causa provável do fogo ser uma linha elétrica, mas ainda não estar definitivamente estabelecida, as demoras na entrega da informação sobre a atuação da GNR por parte da tutela ou a necessidade de auditar as fases de rescaldo e extinção, levam o autarca a pedir que “sejam realmente apurados os erros cometidos, para que se possa corrigir e em situações futuras não voltem a acontecer”.

Sobre a questão de a linha elétrica pode estar na origem do fogo, com o relatório sugere, Rui André lembrou que é uma matéria “ainda em investigação” e considerou “prematuro tirar conclusões”, mas disse que “o maior número de ignições em Monchique é resultante das linhas de energia”.

“A verdade é que a questão das linhas elétricas no nosso concelho tem sido uma situação frequente e que temos falado várias vezes nas nossas reuniões da Comissão de Proteção Civil, e alertado as entidades responsáveis por essa infraestruturas, no sentido de haver um controlo maior do contacto com as árvores, concretamente da baixa tensão”, afirmou.

O autarca disse ainda que, sobre média e alta tensão, “apesar do esforço de fazer as faixas” de contenção, há linhas que “passam em áreas de muitas árvores” e “convinha apurar quem chegou primeiro, se as árvores ou a linha”, para depois “aproveitar essa oportunidade para corrigir alguns erros do passado” e “reformular a paisagem”.

Rui André não percebe também como o Observatório Técnico Independente (OTI), criado pelo parlamento para acompanhar os incêndios florestais, aponta demoras na receção da informação à atuação da GNR por parte do Ministério da Administração Interna, porque se trata de “um relatório que pretende ser o mais transparente possível” e “devia abranger todas as realidades”.

Se a atuação da GNR foi importante para salvar vidas, observou o autarca, houve também casos em que as pessoas “foram retiradas das suas casas sem necessidade” e é necessário no futuro pensar na capacitação de cidadão para “prestar ajuda ativa aos bombeiros” e “poderem ser uma mais-valia” em caso de incêndio”, com “capacidade de combate e autodefesa”, a par da proteção de casas ou aglomerados.

O autarca qualificou ainda como “fundamental” a proposta do relatório do OTI para que seja feita uma auditoria às fases de rescaldo e extinção, após terem sido detetadas falhas no combate inicial.

“No Algarve, temos estratégia de combate inicial muito interessante, com a triangulação e o ataque musculado, o que neste caso até resultou, porque houve logo uma afetação de meios muito grandes, e o fogo chegou a estar quase dominado, mas quando houve uma alteração do dispositivo a situação complicou-se e saiu de controlo”, recordou.

O autarca também considerou que os rescaldos às vezes são “feitos de forma deficitária” e contou ter visto militares “a bater com pés na linha ardida”, numa situação de “desconsideração para os próprios militares”, que atuam “sem ferramentas, meios de proteção individual e são colocados em situações ridículas e ineficazes”.

O incêndio de Monchique esteve ativo entre 03 e 10 de agosto de 2018 em Monchique e consumiu mais de 27 mil hectares.

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