O Tribunal Supremo espanhol condenou hoje em Madrid os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até 13 anos de prisão por sedição e desvio de fundos públicos.

O tribunal condenou o ex-vice-presidente do executivo catalão Oriol Junqueras, que aguardava a sentença na prisão, a 13 anos de prisão e o mesmo número de anos de “inabilitação absoluta”.

Numa carta aberta, Junqueras reafirmou hoje as suas “convicções democráticas e republicanas” e acusou o Estado de “atuar por vingança”.

Numa carta dirigida aos militantes do seu partido, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), Oriol Junqueras afirmou que "hoje a independência é mais do que nunca uma necessidade para poder viver numa sociedade mais livre, mais justa e democrática".

"Hoje, quiseram acabar connosco, com toda uma geração de catalães que lutam pela liberdade”, declarou Junqueras, que deixa ainda uma promessa: "Nós voltaremos e voltaremos ainda mais fortes. Não tenham qualquer dúvida, nós voltaremos e ganharemos".

O atual presidente do Governo catalão, Quim Torra, vai estar às 11:30 locais (10:30 em Lisboa), no Palácio da Generalitat para fazer uma declaração institucional sobre as sentenças aplicadas aos independentistas.

Já o ex-presidente do Governo catalão Carles Puigdemont denunciou a "aberração" que foi a condenação dos independentistas catalães, dizendo que é "hora de reagir".

"Cem anos de prisão no total, uma aberração. Agora, mais do que nunca, ao vosso lado e das vossas famílias, é hora de reagir como nunca antes, pelo futuro dos nossos filhos e filhas. Pela Europa: pela Catalunha", publicou na rede social Twitter o independentista, que vive na Bélgica após a tentativa fracassada de independência da Catalunha em 2017.

A ex-presidente do Parlamento catalão Carme Forcadell, depois de ouvir as sentenças que a condenam a 11 anos e meio de prisão, declarou que "a injustiça foi consumada" e lamentou que a democracia viva "um dia sombrio".

“A injustiça foi consumada. O debate parlamentar livre não é um crime, é um direito de exercê-lo e um dever de defendê-lo. Não nos cansaremos de dizê-lo o quanto necessário", escreveu Forcadell na rede social Twitter.

A ex-presidente do Parlamento catalão alertou que "hoje a democracia vive um dia sombrio", mas em momentos como esse pediu para não se deixarem abater pelo "derrotismo".

"Vamos avançar!", disse ainda Carme Forcadell.

Por seu lado, o ex-conselheiro da Ação Externa Raül Romeva, condenado a 12 anos, denunciou que querem sentenciar "todo um movimento", mas alertou que "estão errados".

Romeva ressaltou a esse respeito que "nenhuma sentença mudará as aspirações políticas de milhões de cidadãos", enquanto pede para permanecerem "de pé, combativos e dignos".

Ao todo são 12 os independentistas que aguardavam a leitura da sentença pelo seu envolvimento nos acontecimentos que levaram ao referendo ilegal sobre a autodeterminação da Catalunha realizado em 01 de outubro de 2017 e à declaração de independência feita no final do mesmo mês.

Nove deles estão presos, mas o ex-presidente do executivo regional Charles Puigdemont faz parte de um grupo de separatistas que continuam no estrangeiro e que não foram julgados, porque o país não julga pessoas à revelia.

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