O que disseram os especialistas

  • A incidência de contágios a 14 dias teve regista uma "descida muito significativa". André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, foi o primeiro a tomar a palavra para abordar a atual situação epidemiológica no país. O especialista revelou ainda que a incidência do vírus no país é, agora, de 322 casos por 100 mil habitantes.
  • "Todas as regiões portuguesas estão numa fase de descida", incluindo a Madeira.  No entanto, "há zonas do território com incidências ainda particularmente altas, como Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Centro, entre 480 e 960 casos por 100 mil habitantes, mas já há vastas áreas do território com uma incidência inferior a 240 casos por 100 mil habitantes”, frisou.
  • Em termos etários, André Peralta Santos notou que se mantém “a tendência de descida de todos os grupos etários”, sendo que a faixa da população com 80 ou mais anos é ainda “o grupo com maior incidência neste momento”, apesar de ser “mais reduzida e com níveis de incidência ao nível de novembro”.
  • Valor do R(t) encontra-se abaixo de 1 em todo o país e é o mais baixo da Europa , revela Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor. Ricardo Jorge. "Nos últimos cinco dias tem estabilizado em torno de 0,66 e 0,68", acrescentou. A redução do número de novas infeções aumentou com o segundo pacote de medidas, que incluiu o fecho das escolas, defendeu o especialista. De acordo com o investigador, a redução de incidência foi mais acentuada na população com idades entre os 10 e os 50 anos e 80 e mais anos.
  • Em termos de contactos sociais, verificou-se uma redução do número contactos sociais na população portuguesa em linha com a redução da mobilidade, sendo que foi no grupo etário dos 60 ou mais anos onde se observou a maior redução de contacto, cerca de 41%, e no grupo etário dos 18 aos 49 anos cerca de 35%.
  • Segundo as projeções, a taxa de incidência acumulada a 14 dias estará abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes no início de março e abaixo dos 60 casos na segunda quinzena de março. O número de doentes Covid-19 internado em UCI estará abaixo de 320 na segunda quinzena de março e abaixo dos 200 no final do mês de março.
  • Sobre a variante do Reino Unido. Em Portugal, desde 1 de dezembro, terão ocorrido cerca de 150 mil casos de infeção por esta variante. “Em janeiro fizemos uma projeção a três semanas que indicava que na semana seis – a semana passada – cerca de 65% dos novos casos fossem provocados por esta variante. Tal não aconteceu graças ao confinamento. Os dados indicam que temos cerca de 48% dos novos casos provocados por esta variante e sem uma tendência crescente”, afirmou o especialista do INSA, notando que no Reino Unido já se estima uma prevalência desta variante superior a 90%.
  • No entanto, o investigador do INSA alertou que com o futuro desconfinamento será expectável uma recuperação do ritmo de crescimento de infeções por esta variante, por ser mais transmissível. João Paulo Gomes observou que o 'planalto' de valores encontrado nas últimas semanas se deve à limitação dos contactos sociais por força do confinamento.
  • Outras variantes. Até 22 de fevereiro, foram detetados quatro casos da variante da África do Sul e sete casos da variante P.1 (a chamada variante de Manaus). Sobre esta última, João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, diz que "estamos a falar de apenas uma cadeia de transmissão".
  • A estratégia para identificar novas variantes da Covid-19 vai mudar no mês de março: o rastreio passa a ser semanal, e não mensal.
  • Como será o novo normal nos hospitais? João Gouveia, da Coordenação da Reposta em Medicina Intensiva, responde: com menos de 242 doentes em UCI, 245 camas de Medicina Intensiva dedicadas à Covid-19 e 629 camas para a atividade normal. O especialista refere também a necessidade olhar para a testagem e analisar a mobilidade das populações.
  • “A situação da medicina intensiva em Portugal é ainda muito frágil, temos uma situação atual que não é real, é enganadora. É necessário completar obras em curso e assegurar recursos humanos”, reiterou João Gouveia, que, após vincar que a taxa de ocupação não deve exceder os 85% - ou seja, sensivelmente 242 doentes covid em cuidados intensivos -, assegurou que Portugal só vai conseguir chegar “no final da terceira semana de março” aos 245 doentes.
  • Como atuar para controlar a pandemia? Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, elencou uma série de "princípios para a atuar":  incidência, internamentos por dias e a velocidade a que os fenómenos ocorrem, através do R(t), o índice de transmissibilidade.
  • Plano de vacinação: ponto de situação. Já chegaram cerca de um milhão de vacinas a Portugal, das quais mais de 700 mil já foram inoculadas. 248 mil pessoas já levaram as duas doses, revela Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force. Há há “7  pessoas em cada 100 habitantes com uma inoculação pelo menos; 4,5% da população com a primeira dose e 2,4% com a segunda dose”.
  • O Vice-almirante disse ainda que "haverá uma concentração de vacinas já no segundo trimestre suficiente para aumentar a velocidade de vacinação para cerca de 100 mil vacinas por dia". Previsão para se atingir a imunidade de grupo em Portugal "pode passar do fim do verão para meados de agosto ou o início de agosto" — e não em setembro.
  • “Há uma expectativa mais positiva relativamente ao segundo trimestre e muito mais positiva relativamente ao terceiro e quarto trimestres. Se estas expectativas de disponibilidades de vacinas se mantiverem e materializarem num futuro próximo, o período em que se pode atingir a imunidade de grupo - 70% - pode eventualmente reduzir-se relativamente ao fim do verão para passar para meados do verão, em volta de meados ou início de agosto”, disse Gouveia e Melo.

As quatro notas de Marcelo

O Presidente da República destacou hoje a "janela de esperança" quanto à vacinação contra a covid-19 no segundo trimestre deste ano e considerou que os especialistas deram "uma ajuda essencial" para a tomada de decisões.

Marcelo Rebelo de Sousa transmitiu estas mensagens durante a 16.ª sessão sobre a "situação epidemiológica da covid-19 em Portugal", após o período de intervenções dos especialistas, que terminou com uma apresentação do coordenador do plano de vacinação nacional contra esta doença, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo.

Ainda com esta reunião a ser transmitida publicamente, o chefe de Estado quis deixar quatro notas sobre o que tinha ouvido, uma delas para destacar a "janela de esperança" quanto à vacinação, referindo-se à expectativa "particularmente importante quanto ao segundo trimestre de 2021".

Segundo Gouveia e Melo, espera-se "uma concentração de vacinas já no segundo trimestre suficiente para aumentar a velocidade de vacinação para cerca de 100 mil vacinas por dia, o que fará com que se tenha de pensar em modelos alternativos aos centros de saúde nos cuidados primários para que este processo de vacinação corra sem problemas na administração de vacinas".

O vice-almirante admitiu que se possa "atingir a imunidade de grupo" em Portugal mais cedo do que estava previsto, "em meados do verão, à volta de agosto ou inícios de agosto", mas ressalvou que "isto são expectativas, em face de expectativas melhores de disponibilidade de vacinas, que têm de se confirmar".

O Presidente da República frisou igualmente que o ritmo de vacinação apontado para o segundo trimestre é por enquanto apenas uma expectativa.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa salientou as palavras do vice-almirante sobre a necessidade de se administrar a quantidade mais elevada esperada de vacinas "num quadro ou num modelo que seja compatível com essa elevação, o que significa diferente daquele até agora utilizado no primeiro trimestre".

De acordo com o Presidente da República, as intervenções dos especialistas nesta sessão sobre a situação da covid-19 em Portugal constituíram "uma boa ajuda, uma ajuda essencial para a reflexão quanto ao tratamento da pandemia no futuro próximo e no futuro imediatamente subsequente".

No seu entender, para isso contribuiu "a convergência de vários oradores quanto a dois critérios particularmente relevantes ao avaliar-se a evolução da pandemia e a tomada de medidas sobre ela: o número de casos ou incidência, por um lado, mas de forma muito especial o número de internamentos - internamentos em geral e internamentos em cuidados intensivos".

Tendo em conta "as análises quantitativas e qualitativas", o chefe de Estado concluiu que "os portugueses têm uma perceção largamente correspondente à evolução dos factos".

Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu aos peritos que fizeram apresentações nesta sessão e realçou que "por trás desses oradores se encontram dezenas de especialistas a preparar as suas intervenções".

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