"Não posso aceitar de forma alguma que [Filipe Pinhal] queira limpar a sua imagem sujando a de outros e muito menos a minha", disse Fernando Teixeira dos Santos no parlamento, acrescentando que "não lhe fica bem acusar com base em presunções, impressões e opiniões".

O antigo responsável pela pasta das Finanças, que falava na sua audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em Lisboa, afirmou também que não fica bem a Filipe Pinhal "manchar o nome de outros com suposições, insinuações e absoluta ausência de factos".

"Mas, acima de tudo, eu gostaria de questionar a sua credibilidade, pois após ter sido acusado e condenado pelo Banco de Portugal e pelos tribunais, impedido de exercer atividade no setor financeiro, não me surpreende que tenha querido aproveitar a ocasião para ajustar contas”, asseverou o atual presidente do EuroBic.

Fernando Teixeira dos Santos declarou que "Filipe Pinhal não pode num dia dizer uma coisa e noutro dia dizer o seu contrário", e lembrou a presença do ex-administrador do BCP no parlamento em fevereiro de 2008, em que tinha dito que "não houve pressão do Banco de Portugal em relação ao avançar ou não da sua candidatura" à liderança do banco privado.

O ex-ministro das Finanças do Governo de José Sócrates prosseguiu, citando uma notícia da época, que referia que Fernando Pinhal tinha garantido no parlamento que via "com naturalidade a transferência de Carlos Santos Ferreira da Caixa Geral de Depósitos para o BCP".

"E, olhando para a lista candidata encabeçada pelo doutor Santos Ferreira, eu não vejo a minha assinatura nesta lista. Eu vejo a assinatura do dr. Filipe Pinhal a subscrever a candidatura do dr. Santos Ferreira ao BCP", rematou Teixeira dos Santos.

Aos deputados, o ex-governante garantiu: "Gostaria de deixar muito claro que não houve qualquer envolvimento da minha parte, do Ministério das Finanças e que, eu saiba, do Governo nesta matéria".

"Foram as circunstâncias associadas ao facto de o dr. Filipe Pinhal estar, juntamente com outros, sob investigação do Banco de Portugal por ilícitos considerados graves que impediu que a sua lista avançasse", lembrou o ex-ministro.

Teixeira dos Santos acrescentou que esse facto levou a que "tivesse havido a necessidade de formular uma lista alternativa, lista essa que foi a do dr. Santos Ferreira, apoiada pelos acionistas e apoiada pelo próprio Filipe Pinhal".

Na audição parlamentar de Filipe Pinhal, em 11 de junho, no âmbito desta comissão parlamentar de inquérito, o ex-administrador do BCP classificou Vítor Constâncio (antigo governador do Banco de Portugal), Fernando Teixeira dos Santos e José Sócrates de "triunvirato que deitou a bênção" sobre as operações que envolveram o BCP.

Em reação, Vítor Constâncio considerou, no dia seguinte, que as declarações feitas no parlamento pelo ex-administrador do BCP Filipe Pinhal são caluniosas e não têm qualquer credibilidade.

Numa nota enviada à agência Lusa, Vítor Constâncio, também ex-vice-presidente do Banco Central Europeu, acusa Filipe Pinhal de ser "uma pessoa sem qualquer credibilidade" e classifica as suas declarações como "calúnias", recordando que este antigo responsável do BCP já foi "condenado pelos tribunais criminais e em processos do Banco de Portugal e da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários, por crimes cometidos no BCP".

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