Os bombardeamentos contra a periferia sul de Beirute, um reduto do movimento xiita libanês, ocorrem um dia após o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusar o grupo Hezbollah de tentar assassiná-lo.

Israel anunciou no sábado que um drone foi lançado do Líbano em direção à residência do líder, que não estava na casa que fica em Cesareia, na costa central do país.

O Hezbollah não assumiu a responsabilidade, mas a missão iraniana das Nações Unidas disse que o grupo xiita estava por trás do ataque.

"Digo aos iranianos e aos seus aliados no eixo do mal: qualquer pessoa que prejudique os cidadãos do Estado de Israel pagará caro por isso", disse Netanyahu em comunicado.

O Exército israelita alegou ter bombardeado um "centro de comando" do Hezbollah e uma fábrica subterrânea de armas em Beirute. Anunciou também que matou três milicianos do movimento libanês noutros ataques no sul do país.

Pouco depois, relatou 70 "projéteis" disparados do Líbano em questão de minutos. Alguns deles foram intercetados, afirmou.

Por sua vez, o Hezbollah afirmou que derrubou neste domingo um drone israelita Hermes 450, sem especificar onde. Também anunciou que tinha lançado várias salvas de foguetes contra as forças israelitas.

Israel bombardeia entidades financeiras

Além da sua ofensiva no Líbano desde meados de setembro, o Exército israelita continua a bombardear Gaza, onde luta contra o movimento islamista palestiniano Hamas, aliado do Hezbollah.

A agência de notícias estatal libanesa relatou quatro bombardeamentos israelitas na noite deste domingo contra escritórios de uma instituição financeira ligada ao Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute, depois do Exército israelita pedir a evacuação do setor.

De acordo com a agência ANI, os bombardeamentos em vários setores dos subúrbios atingiram “filiais da Al Qard al Hassan”, uma empresa financeira sob sanções dos Estados Unidos acusada por Israel de financiar o movimento pró-iraniano Hezbollah.

A aviação israelita também atacou "a filial de Al Qard al Hassan" na região de Hermel, no leste do Líbano. Além disso, a ANI já tinha relatado um bombardeamento no leste do país.

Na cidade costeira de Saida, a sul de Beirute, houve pânico numa escola transformada em abrigo, próxima a uma filial da Al Qard al Hassan, verificou um correspondente da AFP.

Mais de 50 cidades bombardeadas no Líbano

"Cerca de 175 alvos terroristas na Faixa de Gaza e no Líbano" foram bombardeados no sábado, disse o Exército israelita.

No Líbano, mais de 50 cidades no sul foram bombardeadas neste domingo, segundo a agência de notícias libanesa ANI, que relatou "14 ataques consecutivos" em apenas 15 minutos contra a cidade fronteiriça de Khiam.

A ANI também informou que o Exército israelita explodiu várias casas em três cidades que fazem fronteira com Israel.

Em Beirute, a capital, um dos atentados atingiu um edifício residencial perto de "uma mesquita e de um hospital", segundo a mesma fonte.

O Exército libanês anunciou a morte de três dos seus soldados por disparos israelitas contra um dos seus veículos no sul.

O Hezbollah assumiu a responsabilidade pelo disparo de rockets contra a cidade israelita de Haifa, contra três bases militares no norte e contra tropas israelitas no sul do Líbano.

Depois de enfraquecer o Hamas em Gaza, Israel transferiu a maior parte das suas operações para o Líbano, intensificando os seus bombardeamentos a 23 de setembro e lançando incursões terrestres uma semana depois.

O objetivo, segundo as autoridades israelitas, é permitir o retorno para o norte do país de cerca de 60 mil pessoas deslocadas há um ano pelo lançamento de rockets do movimento islamista.

Pelo menos 1.454 pessoas morreram no Líbano desde 23 de setembro, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais. A ONU contabiliza cerca de 700 mil pessoas deslocadas no país.

As guerras em Gaza e no Líbano também ocorrem em um contexto de tensão crescente entre Israel e Irão, que lançou 200 mísseis contra o território israelita em 1º de outubro. Israel ameaça responder à agressão de Teerão.

A guerra em Gaza começou após a incursão, em 7 de outubro de 2023, de combatentes que mataram 1.206 pessoas no sul de Israel, a maioria civis, e capturaram 251 reféns, dos quais 97 ainda estão em cativeiro, segundo contagens da AFP com base em dados oficiais israelitas.

Na ofensiva de represália de Israel contra Gaza, 42.603 palestinianos morreram, segundo dados do Ministério da Saúde do governo do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.