Na noite em que foi eleito Papa, tomando o nome de João Paulo II, no já distante 16 de Outubro de 1978, Karol Wojtyla assomou à “loggia” (varanda central) da Basílica de São Pedro e colocou as suas mãos poderosas sobre o balcão. Houve quem reparasse: esse foi um daqueles gestos que valem “por uma vida”, como nota Pedro Miguel Lamet, padre jesuíta espanhol, escritor e jornalista. Wojtyla não fez como os seus antecessores, que colocavam as mãos entrelaçadas sobre o peito, antes usou uma posição semelhante à dos líderes políticos “conscientes do seu poder e acostumados a dirigir-se às massas”.

Este gesto é premonitório do que virão a ser as características dominantes do pontificado do primeiro Papa polaco: uma voz forte, mesmo depois de a doença e a debilidade física já terem tomado conta de si, a ordem e disciplina talhadas à sua medida e que procura impor na Igreja Católica a constante rutura do protocolo e as permanentes saídas do Vaticano, as suas capacidades de comunicador, de ator e de atração de multidões – a Time chamou-lhe superstar —, a responsabilidade direta na democratização da Polónia e, por arrastamento, do Leste europeu, a sua abertura ao diálogo com as outras religiões mas na afirmação da Igreja Católica como religião verdadeira.

Impossível arrumar este Papa numa definição. João Paulo II é um homem de paradoxos. Viaja por quase centena e meia de países mas acentua o centralismo do Vaticano; é aclamado por multidões de centenas de milhares de pessoas, mas a sua mensagem suscita polémicas, entusiasmos ou desprezo; abre perspetivas na ética social que o colocam na esquerda do pensamento contemporâneo, mas acentua com mão de ferro a sua oposição a qualquer abertura na moral individual e familiar; é exímio na arte de comunicar e utilizar meios de comunicação, mas a sua mensagem é pouco compreendida pela maior parte dos auditórios que o escutam; inaugura um espírito novo no diálogo interconfessional e interreligioso, com os encontros de Assis, mas assina um documento do Vaticano que diz que é na Igreja Católica que subsiste “a única Igreja de Cristo”; exalta o papel da mulher na Igreja e na sociedade, mas declara encerrada “para sempre” a possibilidade de as mulheres serem ordenadas; escreve que o caso Galileu simboliza a “pretensa recusa pela Igreja do progresso científico ou do obscurantismo dogmático oposto à livre pesquisa da verdade”, mas ele próprio não quer que os teólogos usem a liberdade para pesquisar; pede perdão pelos pecados históricos da Igreja, mas não quer ouvir críticas ao seu modo de dirigir a instituição.

Estes aparentes paradoxos, que traduzem opções de fundo e se revelam durante o seu pontificado, não nascem com a eleição de Karol Jozef Wojtyla para Papa. Já antes, na Polónia natal, Lolek, o diminutivo com que o tratam os mais próximos, revelara em muitos aspetos o que viria a ser a sua atuação como líder da Igreja Católica.

O primeiro não-italiano em 456 anos

Quando é escolhido como Papa, a primeira surpresa é o seu nome de baptismo, a denunciar o primeiro não-italiano no lugar desde 1522. A estranheza dá lugar ao entusiasmo quando Wojtyla assoma à varanda central da Basílica de São Pedro do Vaticano. Os seus 58 anos e a aparência atlética dão-lhe um rosto demasiado novo para aquilo que era habitual – com efeito, é o mais novo dos últimos nove papas da história da Igreja.

Na sua primeira mensagem à multidão, João Paulo II – o nome é escolhido como homenagem aos seus antecessores, João XXIII, Paulo VI e João Paulo I – faz saber ao que vem: “Não tenham medo! Abri as vossas portas a Cristo! Ao seu poder salvador, abri as fronteiras dos estados, os sistemas económicos e políticos, os imensos domínios da cultura, da civilização, do desenvolvimento.”

O apelo quer romper claramente com a indecisão que, sobretudo por causa da doença, marcara os últimos anos do pontificado de Paulo VI. A Igreja necessitava, então, de clarificar a sua natureza e missão no mundo, os cardeais precisam de um líder forte, mas aberto ao mundo. O polaco Wojtyla, cuja candidatura é lançada pelo então arcebispo de Viena, Franz König (que morreu em Março de 2004), aparece como um conservador moderado, capaz de fazer a ponte entre os dois grupos opostos do consistório e de dotar a Igreja de uma liderança forte, mas com margem para a abrir ao mundo. Além do mais, Wojtyla é saudável, pratica desporto, é um intelectual reconhecido como brilhante pelos seus pares, fala várias línguas, é um bispo dinamizador de múltiplas atividades.

O novo Papa confirma a sua capacidade de trabalho, com um horário que começa às 5h30 e se prolonga até por volta das 23h30. Essa energia vai também traduzir-se nas viagens que serão uma marca do seu pontificado: além das 104 deslocações fora de Itália, João Paulo II ainda faz 146 viagens dentro de Itália e mais 317 visitas às paróquias de Roma. Mais de um milhão de quilómetros, pelo menos 29 vezes a circunferência da Terra (ou três vezes a distância da Terra à Lua) são percorridos pelo “desportista de Deus”, como lhe chamará o arcebispo de Paris.

O próprio justifica as suas deslocações: “O Papa viaja para anunciar o evangelho, para ‘confirmar os seus irmãos’ na fé, para consolidar a Igreja, para encontrar o homem”, diz ele, num discurso à Cúria Romana, em 28 de junho de 1980, para justificar a novidade e também contrariar as críticas, que entretanto surgem, sobre o dinheiro gasto devido às suas deslocações.

João Paulo II terá sido, entre 1978 e 2005, a personagem mais aplaudida e mais mediatizada. Um facto que, para os mais críticos, não serve de muito. Hans Küng, o teólogo alemão castigado pelo Vaticano logo no início do pontificado, diz que o carácter mediático de João Paulo II não conseguiu convencer a maioria dos católicos em nenhuma das questões polémicas, desde a pílula à ordenação de mulheres.

Nas viagens, os jovens ocupam, desde o início, um lugar especial. Depois de boas experiências de encontro com jovens – Lisboa, Paris, Roma, entre 1982 e 1984 –, João Paulo II decide convocar uma Jornada Mundial da Juventude que, com o tempo, se transforma em acontecimento de multidões.

“Queremos Deus” – o abalo ao comunismo

Uma das consequências mais importantes das primeiras viagens é o abalo provocado ao sistema comunista. Em Junho de 1979, oito meses depois da sua eleição, o polaco Wojtyla regressa ao seu país já investido de uma nova autoridade. O regime não consegue controlar as multidões que acorrem a ver o filho da sua terra e cantam nas missas com milhares de pessoas: “Queremos Deus.”

Com o apoio ao Sindicato Solidariedade, liderado por Lech Walesa, João Paulo II contribui para fazer tremer o regime polaco. O que se passa na Polónia, onde o papel do Papa é decisivo, e a acção de Gorbatchov na ainda União Soviética, deitam abaixo o muro que separa o Leste e o Ocidente europeus. Quando os dois líderes se encontram no Vaticano, em 1 de dezembro de 1989, já o comunismo está a cair de podre. Em 1998, Gorbatchov escreve no La Stampa: “Tudo o que se passou não teria sido possível sem o Papa.” Mas João Paulo II relativiza o seu papel. No livro Atravessar o Limiar da Esperança, escreve: “O comunismo, num certo sentido, caiu por si mesmo.”

A necessidade de unir a Europa, “do Atlântico aos Urales”, é o que o Papa retira como uma das mais importantes consequências da implosão do comunismo a leste. Defendendo que o continente tem uma matriz cristã, Wojtyla chega a entrar em choque com as lideranças políticas várias vezes. As últimas são por ocasião da redacção da Carta Europeia dos Direitos Humanos, em 2000, e da Constituição Europeia, quando o Papa, secundando os bispos europeus, lamenta que a herança cultural e religiosa da Europa não fique registada nos documentos.

A actividade política sugerida ou impulsionada por Karol Wojtyla também se manifesta ao nível diplomático: em 1978, à data da sua eleição, a Santa Sé tem 89 nunciaturas (embaixadas) e 21 delegações, uma espécie de consulados para os católicos nos países que não reconhecem o Estado do Vaticano. Com João Paulo II, o Vaticano estabelece relações diplomáticas com mais 65 países, chega às 168 nunciaturas e às 15 delegações, além de 24 gabinetes de representação em diferentes organismos internacionais.

No campo político, há outros temas a preocupar Wojtyla: a miséria que atinge o mundo, o carácter “sobretudo individualista” do capitalismo – “o Sul pobre julgará o Norte rico”, afirma, no Canadá, em 1984 –, os direitos sociais e familiares dos trabalhadores, a dívida externa do Terceiro Mundo, a corrida ao armamento, os graves conflitos que se vivem são, por vezes, objecto de posições muito duras da parte de um Papa que, no entanto, não é tão escutado pelos líderes mundiais como gostaria. Na sua mira estão sobretudo as sociedades ricas, poderosas e egoístas do Ocidente, cujo secularismo e relativismo ético são condenados por João Paulo II.

Além da África, o continente que o mundo vai esquecendo e que o Papa procura trazer para a agenda internacional através das suas viagens, também os indígenas lhe merecem uma atenção especial. Na viagem que efectua à Guatemala e ao México, em julho de 2002, João Paulo II confirma a preocupação que tem com o valor da cultura e da identidade dos povos indígenas, sejam eles os aborígenes da Austrália ou Nova Zelândia, ou os índios norte-americanos ou da América do Sul.

Primazia do trabalho sobre o capital

Apesar de ser mais complacente com os padres e bispos que se envolvem na política em países como a Polónia ou as Filipinas do que com os teólogos da libertação, João Paulo II quer conciliar a experiência democrática com a justiça social. Uma ideia que dá origem a três encíclicas dedicadas à questão social: Laborem Exercens, de setembro de 1981, sobre o trabalho humano; Sollicitudo Rei Socialis, de dezembro de 1987, sobre a solicitude social da Igreja; e a Centesimus Annus, de Maio de 1991, sobre a nova realidade mundial após a queda do comunismo do Leste europeu.

No primeiro texto, o Papa elogia o trabalho, fala da primazia deste sobre o capital, defende liberdade sindical e a noção de propriedade como devendo estar “ao serviço do bem comum”. No segundo, quando o comunismo já dá sinais de colapso, advoga a correcção de ambos os sistemas e condena o confronto Leste-Oeste, que tem como consequência a corrida armamentista, esquecendo o desenvolvimento. No último, afirma que o motor da História é a cultura e não a economia e defende que a Igreja não quer uma terceira via, mas antes uma economia de mercado que respeite a dignidade humana.

Mesmo com estas ideias, João Paulo II não consegue resistir à tentação de impor a sua vontade aos teólogos e bispos rebeldes colocados à esquerda do espectro político. A teologia da libertação, que defende uma opção da Igreja Católica pelos mais pobres, é castigada por intermédio dos seus nomes mais importantes. Tal como os que colocam em causa a estrutura de poder do Vaticano, o centralismo da Cúria Romana e a doutrina moral tradicional da Igreja.

Mais um paradoxo, aliás. João Paulo II é o Papa que internacionaliza a cúpula do Vaticano: dois colombianos, um mexicano, um brasileiro, um chileno, um vietnamita, um japonês presidem a vários organismos da Cúria. Ao mesmo tempo, Wojtyla chama os cardeais a discutir temas tão raros quanto as finanças da Igreja, o problema das seitas, o pedido de perdão pelos pecados da Igreja – que o Papa impõe contra a vontade de vários. No reverso da medalha está a acentuação do centralismo. Tudo passa cada vez mais pelo Vaticano, a autonomia das igrejas locais é em muitos casos uma ilusão, as conferências episcopais vêem a sua autoridade limitada através de um documento de Maio de 1998.

O poder da Cúria Romana manifesta-se também nas sucessivas punições impostas a teólogos ou bispos mais contestários. Hans Küng, Leonardo Boff, Eugen Drewermann, Jacques Gaillot, Jacques Dupuis, Marciano Vidal são alguns entre muitos nomes que sofrem processos por parte do Vaticano, por causa das suas opiniões. Temas como o aborto ou a eutanásia, o planeamento familiar ou o divórcio merecem a oposição severa de um João Paulo II que provoca escândalo ao comparar, na Polónia, em 1991, o Holocausto e “os grandes cemitérios das crianças que não nasceram”. E que permite que responsáveis do Vaticano afirmem, em 1994, que as mulheres bósnias violadas durante a guerra civil não devem abortar.

Ordenação de homens casados ou mulheres, dogmas intocáveis

O mesmo Papa dedica um consistório de cardeais aos “atentados à dignidade da vida”, em abril de 1991, cria a Academia Pontifícia para a Vida (1994) e pressiona até ao fim os bispos alemães para que encerrem todos os centros de aconselhamento de planeamento familiar, nos quais são passados certificados que possibilitam a prática do aborto. O mesmo Papa, ao mandar rever o processo de Galileu, condenado no século XVI, diz que aquele caso “era o símbolo da pretensa recusa pela Igreja do progresso científico ou do obscurantismo dogmático oposto à livre pesquisa da verdade”. Um argumento que os mais críticos e os que vão sendo penalizados pelo Vaticano atiram contra João Paulo II, no que às dissensões diz respeito. E apesar de o próprio Papa escrever, citando Santo Agostinho, na sua 13ª encíclica, Fé e Razão (de outubro de 1998): “Se a fé não pensa, ela não é nada.”

Temas como a ordenação de homens casados ou de mulheres também são quase dogmas intocáveis para João Paulo II. Um documento sobre o problema da ordenação de mulheres declara o assunto encerrado. E para que os católicos saibam com que linhas se devem coser, o Papa Wojtyla faz publicar um novo Código de Direito Canónico (1983) e um Catecismo da Igreja Católica (1992), uma espécie de compêndio doutrinal, com 2865 artigos, que se converte num rápido êxito de vendas, traduzido em 42 línguas.

O Papa não pára. Publica 14 encíclicas, uma centena de outros textos apostólicos, faz quase 1200 audiências públicas (a número 1000 acontece em 1 de Agosto de 2001) perante mais de 16 milhões de pessoas, publica livros, é editado em discos, realiza largos milhares de encontros privados, faz três mil discursos, convoca consistórios de cardeais e sínodos de bispos — entre os quais, as assembleias especiais dedicadas à realidade de cada continente.

Também os altares se enchem com a actividade do Papa, que beatifica e canoniza mais gente que todos os seus predecessores juntos: são 482 canonizações e 1.338 beatificações as que João Paulo II realiza, com a ideia de propor aos católicos modelos de vida e de santidade.

Entre esse lote, estão as primeiras crianças beatificadas na história da Igreja – os dois videntes de Fátima, os portugueses Jacinta e Francisco Marto. Uma decisão que não é pacífica no interior da Igreja Católica, mas que João Paulo II, tendo em conta a sua especial devoção por Fátima, também ajuda a ultrapassar.

A reelaboração da identidade católica

Entre as prioridades que João Paulo II estabelece para o seu pontificado, estão a execução das directrizes do Concílio Vaticano II, a reflexão ética, a busca de uma nova identidade católica (preocupação que vinha dos pontificados anteriores), a centralidade de Jesus, a universalidade. O historiador António Matos Ferreira diz que “a questão central dos últimos 50 anos é a reelaboração da identidade católica”, perante uma sociedade que se foi secularizando e levantando novos problemas à fé cristã.

Essa procura de uma nova identidade faz-se pela reflexão constante sobre a doutrina social e sobre a moral individual. “A Igreja vive entre a necessidade de proclamar a doutrina e de atender as pessoas concretas de cada tempo.” O pensamento wojtyliano, que pretende situar-se nessa charneira, apresenta-se assim “fundamentalmente como uma ética e uma antropologia, baseadas na afirmação da dignidade humana, e não como uma apologética”, analisa o historiador. E, por isso, a sua preocupação principal é a de que “é necessário anunciar Jesus Cristo, perante o fenómeno da secularização”. E o problema principal a enfrentar é “o conteúdo a dar à evangelização”, a mensagem que a Igreja pretende transmitir.

Nesta dinâmica insere-se o pedido de perdão pelos pecados históricos da Igreja – “uma afirmação de que quem não reconhece o erro não é capaz de ver Jesus como salvador” –, a valorização dos santos, apresentados como “aqueles que fazem o bem” ou a universalidade, entendida como “o encontro de todos, na oração, para fazer a paz” no mundo, analisa ainda Matos Ferreira.

O campo interreligioso é, precisamente, um dos âmbitos em que João Paulo II consegue ter gestos de extraordinário alcance: por duas vezes, convoca para Assis todas as religiões para um encontro de oração pela paz no mundo – a última das quais na sequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque e Washington. É ele o primeiro Papa a visitar uma sinagoga – Roma, em 1994 – e o primeiro a deslocar-se ao Muro das Lamentações para ali depositar um pedido de perdão pela responsabilidade dos católicos nas perseguições aos judeus. E é também ele o primeiro a entrar numa mesquita (Síria, 2001) ou a encontrar-se, por várias vezes, com o Dalai Lama budista.

Na causa do ecumenismo, encontros com os líderes das principais confissões cristãs fazem parte do programa das primeiras viagens e uma encíclica dedicada ao tema deixa a porta aberta para repensar o poder do Papa na Igreja. Mas a prática das igrejas protestantes e anglicanas – como as decisões de ordenar mulheres – afasta a possibilidade do reencontro próximo, enquanto as zangas político-religiosas com os ortodoxos chegam a impossibilitar o encontro de João Paulo II com o patriarca de Moscovo.

O “maior obscurantista” ou o profeta com um destino

O filósofo italiano Paolo Flores d’Arcais diz que ele é “o maior obscurantista do século”, a revista Time elege-o como homem do ano em 1994. Há várias histórias de pessoas que, não gostando do Papa, mudam a opinião após estar com ele à mesa: “Há qualquer coisa nele que ultrapassa o seu carisma e a sua personalidade. Não é necessário ser católico ou mesmo crer em Deus para perceber qualquer coisa de místico na sua presença.” E, ao justificar a escolha, a Time escreve: “Num ano em que tantas pessoas lamentam a deterioração dos valores morais ou buscam pretextos diante de um mau comportamento, o Papa João Paulo II levou adiante, com determinação, a sua visão de uma vida recta e convidou o mundo a fazer o mesmo. Por essa retidão, ele é o ‘Homem do ano’.”

O Papa Wojtyla entende-se a si mesmo, desde o momento da sua eleição, como destinado a uma missão profética: a de levar a Igreja e os católicos rumo ao ano 2000, tal como lhe pede o cardeal Wyszynski, no ato de entronização como Papa. E quem esperasse que, depois disso, ele se retiraria, o primeiro Papa polaco, agora frágil e doente, lá continuou no seu posto até morrer. A sua luta tem sempre um inimigo: o nazismo e o comunismo na Polónia natal, o hedonismo neoliberal ou o aborto no seu pontificado.

João Paulo II não é um adepto de reformas aceleradas no interior da Igreja. Muito menos um revolucionário. Aparece como um líder moral de dimensão internacional num momento da História em que os grandes líderes desaparecem. Pedro Miguel Lamet apresenta-o como piedoso e rebelde, tradicional e moderno, um introvertido que fascina multidões, místico e humano ao mesmo tempo. Inclassificável, é simultaneamente sensível e duro, polaco e universal, ator e homem de convicções. Como na sua juventude.

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