Durante a audição de João Ribas na comissão de Cultura da Assembleia da República, a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro questionou se a demissão após a inauguração da exposição não terá sido para resolver outras questões anteriores e quis ainda saber por que é que 20 obras não foram expostas.

“Houve duas que estavam na sala geral e que por aconselhamento ou intromissão do conselho de administração de Serralves que as considerou de cariz sadomasoquista foram aconselhadas a ir para a sala reservada. Duas. Mas há 20 que não foram expostas. Porque é que Serralves pagou 179 obras e só foram expostas 161?”, questionou João Ribas.

Sobre a demissão, João Ribas explicou que depois de “ter acontecido o que aconteceu no dia da inauguração, o importante era a exposição abrir, num espírito de mostrar ao público a obra de Mapplethorpe, contornando a ingerência e este processo”.

A decisão foi a de “fazer este trabalho e depois tomar a posição de apresentar a demissão”.

Quanto à retirada de 20 peças, João Ribas considerou que “a exposição teve um processo de ingerência que obrigou a uma reorganização e a criar uma exposição que refletisse o melhor mesmo com as dificuldades”.

Para o curador da exposição, a decisão da administração de Serralves de remover duas obras constituiu uma “pressão intolerável que quebra todos os princípios de uma instituição cultural”.

Instado pela deputada a responder para onde foram removidas essas duas obras, João Ribas respondeu que “estavam na parede, prontas para exibir”, já com a exposição montada, quando foram “retiradas da parede”.

A comissão de Cultura da Assembleia da República está hoje a ouvir João Ribas e o conselho de administração da Fundação de Serralves, por requerimentos do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda a propósito da demissão do diretor artístico do museu localizado no Porto.

O diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves demitiu-se a 20 de setembro, após a inauguração da mostra “Robert Mapplethorpe: Pictures”, que comissariou, por entender que não tinha condições para prosseguir o trabalho, depois de terem sido definidas zonas reservadas na exposição, e de o seu universo ter sido reduzido de 179 para 159 obras.

Fotografias de nus, flores, retratos de artistas como Patti Smith ou Iggy Pop, e imagens de cariz sexual compõem a primeira exposição em Portugal do fotógrafo norte-americano, que reservou uma das salas a maiores de 18 anos, com obras consideradas mais sensíveis.

Ribas disse, num comunicado divulgado no dia 27 de setembro, que se demitira por entender que "não é admissível que a liberdade e a autonomia do diretor sejam desrespeitadas", defendendo que o cargo “é incompatível com ingerências, pressões ou imposições que limitem a sua autonomia técnica e artística”.

O curador adiantou que, ao programar “Pictures”, de Mapplethorpe, “restrições e intervenções", por parte da administração da fundação, levaram a "um ponto de rotura".

O conselho de administração da Fundação de Serralves, por seu lado, garantiu não ter mandado retirar qualquer obra da exposição do fotógrafo Robert Mapplethorpe, num encontro tido com a imprensa.

“Em Serralves não há, nem nunca houve censura, nem nunca sob a nossa responsabilidade haverá censura. Mas também não haverá complacência com a falta de verdade, nem fuga às responsabilidades”, disse a presidente de Serralves, Ana Pinho.

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