Segundo Miguel Barbosa, diretor do serviço de oncologia do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), a realidade em Trás-os-Montes acompanha a nacional no que diz respeito à incidência das doenças, em que as oncológicas representam a segunda causa de morte, a seguir às cardiovasculares.

No entanto, para o responsável “antevê-se que, em breve, as doenças oncológicas possam ultrapassar as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte no país”.

“É, portanto, um problema de saúde pública importante e é necessário haver estratégias eficazes para lidar com este problema”, afirmou o especialista, que falava aos jornalistas à margem da apresentação das II Jornadas de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Nesta região, o principal grupo de doenças oncológicas são as do foro digestivo, com maior prevalência dos cancros do intestino e gástrico, seguindo-se os cancros da mama e da próstata.

O tema central das jornadas é precisamente a “importância da oncologia no interior – a realidade, obstáculos e os desafios”, uma discussão que vai juntar médicos, enfermeiros, docentes e gestores das instituições ligadas à saúde públicas e privadas e ainda do ensino superior da região.

O evento decorre entre os dias 23 e 24 de novembro, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real.

“A oncologia acaba por ser um dos nossos vetores estratégicos”, afirmou o presidente do conselho de administração do CHTMAD, que agrega os hospitais de Vila Real, Chaves e Lamego.

A capacidade de resposta da região às doenças oncológicas melhorou significativamente na última década, com a abertura do centro oncológico de Vila Real, que ajudou a evitar as deslocações dos utentes transmontanos para o litoral.

No entanto, a região ainda sente dificuldades nesta área, nomeadamente a nível dos profissionais de saúde.

Carlos Vaz, presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, destacou a “luta titânica e diária” que tem que ser feita na região para se conseguir desbloquear verbas necessárias para obras nos hospitais e atrair mais profissionais para este interior.

Manuel José Lemos, do hospital privado Terra Quente, em Mirandela, salientou o “trabalho de complementaridade” que tem que ser feito entre os serviços públicos e privados e referiu que “é fundamental o desenvolvimento do interior” para atrair e fixar mais profissionais de saúde.

Durante os dois dias das Jornadas da Saúde são esperados entre cerca de “300 a 400 participantes”.

Em debate vão estar temas como “A política nacional em oncologia”, “Rede nacional de especialidade hospitalar e rede de referenciação oncológica médica”, “Gerir em saúde no século XXI”, “Literacia em saúde e capacitação em oncologia”, “O papel dos média na educação para a literacia em saúde”, “Prevenção primária – cessação tabágica”, “Prevenção terciária e quaternária – reabilitação do doente oncológico” e ainda a investigação e ensino em oncologia.

As controvérsias éticas em fim de vida, vistas pelas várias especialidades como nefrologia, cardiologia, pediatria e os cuidados paliativos, vão estar também cima da mesa deste evento que junta o CHTMAD, a ULS do Nordeste, o Hospital Terra Quente, os agrupamentos dos centros de saúde do Alto Tâmega, Douro Norte e Douro Sul, a UTAD e o Instituto Politécnico de Bragança.

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