Apesar da pressão internacional, “o tribunal decidiu rejeitar o pedido da defesa para libertar os acusados”, disse o juiz Ye Lwin, perante um tribunal cheio de jornalistas e diplomatas.

Wa Lone, de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 27, arriscam até 14 anos de prisão por posse de documentos classificados.

Na investigação que efetuaram, os dois jornalistas citam aldeões budistas que terão participado com soldados no massacre de dez rohingya cativos na aldeia, em 02 de setembro de 2017. O trabalho dos jornalistas da Reuters foi baseado em testemunhos de aldeões budistas, membros das forças de segurança e familiares das vítimas.

O exército reconheceu, no início do mês, que os militares cometeram “execuções extrajudiciais” neste caso, sem admitir que se integrava num plano mais amplo de limpeza étnica, com tem sido referido pela ONU.

Alguns dias após a detenção dos dois jornalistas birmaneses, em dezembro de 2017, o exército reconheceu que soldados e camponeses budistas tinham morto a sangue frio detidos rohingya, na primeira confissão pública após meses de desmentidos.

A Birmânia tem estado em convulsão após as acusações de limpezas étnicas feitas pela ONU, na sequência de uma vasta operação do exército no oeste do país, após os ataques de uma rebelião rohingya em agosto de 2017.

Cerca de 700.000 muçulmanos rohingya que viviam nesta região refugiaram-se no vizinho Bangladesh desde agosto de 2017 e acusaram os militares e as milícias budistas de diversos crimes, incluindo violações, tortura e mortes.

Os rohingya são o alvo de um movimento nacionalista budista, muito implantado na Birmânia, que os considera uma ameaça ao predomínio budista no país. O próprio governo civil da prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi tem sido relacionado com este ódio anti-rohingya, muito instrumentalizado pela hierarquia das Forças armadas durante décadas de regime de junta militar.

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