Em Portugal há 1,6 milhões de fumadores, de acordo com dados da Direção-Geral de Saúde, número replicado no estudo, de agosto, da GFK “Fumadores: Perceções, Comportamentos e Alternativas”, e todos os anos cerca de 11800 mil de mortes são atribuídas a doenças relacionadas com o tabaco (10% do total das mortes), segundo o Euromonitor Tabaco Portugal, de julho. A nível mundial, a população fumadora adulta cifra-se “em mil milhões” e o tabaco mata 1 em cada 2 fumadores, mais de “7 milhões de pessoas”, por ano.

Tendo como ponto de partida que a “cada 50 minutos morre, em Portugal, uma pessoa devido ao tabaco”, e sendo esta “a principal causa de morte evitável no mundo”, Nelson Patrício, diretor-geral da JUUL Labs em Portugal, unicórnio norte-americano líder em tecnologia de vaping (cigarros eletrónicos) nos Estados Unidos da América, que entra em Portugal no próximo mês de outubro, apresentou, em conferência de imprensa, “uma alternativa aos cigarros tradicionais de combustão, dirigida a "fumadores adultos”, reforçou, por diversas vezes, ao longo da apresentação que decorreu em Lisboa, num palácio no Campo Mártires da Pátria.

Esta alternativa nasceu pela mão de dois ex-fumadores, Adam Bowen e James Monsees, em meados da década de 2000, estudantes de Design na universidade de Standford (EUA), depois de “10 anos de investigação e testes em garagens”, em Silicon Valley, descreveu, Grant Wonterton, presidente da JUUL Labs para a Europa, Médio-Oriente e África (EMEA).

A inovação consiste num vaporizador de sistema fechado e numa cápsula (pod) com líquido aquecido eletronicamente. À nicotina — uma solução de sais de nicotina, substância aditiva “que está sempre bem identificada no produto”, adianta Nélson Patrício, disponível em duas dosagens (9 mg/ML e 18 mg/ML), “conforme a Diretiva de Produtos de Tabaco da União Europeia”, que exige uma concentração de nicotina nunca superior a 20 miligramas por mililitro — são acrescentados quatro sabores: baunilha, manga, menta e tabaco, “aromas que ajudam à mudança”. Aromas que estão, no entanto, no centro da polémica nos EUA, como veremos mais à frente.

e-cigarros: a porta da saída do tabaco

O produto é “porta de saída do mundo do tabaco, e, no final, da nicotina”, sublinhou Nelson Patrício. Mais cauteloso, Grant Wonterton, admite, no entanto, que não podem dizer que a JUUL “uma empresa com um produto que ajuda na cessação da dependência da nicotina”, já que “não sabemos quantas pessoas deixaram e quantas não deixaram de estar viciadas na nicotina depois de utilizarem a JUUL”. “O ideal é não fumar de todo”, atirou.

A bateria do dispositivo eletrónico é carregada via USB. “Simples, limpo e eficaz, sem produzir combustão, não tem fumo, cheiro ou cinza, não gera alcatrão, elimina 7 mil toxinas que o cigarro de combustão liberta e sacia a necessidade de nicotina (“que não está associada aos múltiplos problemas de saúde causados pelos cigarros”, lê-se no comunicado da JUUL) que os fumadores têm”, descreveu o diretor-geral da JUUL Labs em Portugal.

Sem acrescentar os valores de investimento, a empresa irá estar presente “em quatro mil postos de venda”, em Portugal Continental. Com mais de 3500 colaboradores nos 19 países onde está presente, sendo Portugal o 11.º na Europa, a empresa empregará, em território nacional, “30 pessoas diretamente, e criará 15 postos indiretos”.

Os números portugueses são aliciantes para a multinacional norte-americana. “O mercado de tabaco vale 2,5 mil milhões de euros. O mercado nacional está nos 115 milhões de euros. Há espaço para fazer este trabalho”, atestou.

A venda “direta” obedecerá a “práticas responsáveis”, sem comunicação nas “redes sociais”, com “avisos sobre as questões de saúde”, indo “acima do que é pedido pela legislação”, assumiu. “É única e exclusivamente para fumadores adultos, que merecem uma alternativa e com eficácia. Não é para não utilizadores de nicotina e não é para jovens”, frisou, vezes sem conta, aos jornalistas presentes.

De alternativa ao centro da polémica nos EUA

Vários estudos foram citados para justificar a entrada em Portugal e estes sustentam que os cigarros eletrónicos são uma “alternativa mais saudável”, acrescentou Grant Wonterton, presidente da JUUL para o mercado EMEA. O Reino Unido, que tem investido muito no “esforço para acabar com o consumo do tabaco”, serviu de exemplo. A Public Health England, um departamento do Ministério da Saúde do Reino Unido, afirma que o vaping “é, no mínimo, 95% menos prejudicial que o tabagismo”, uma posição secundada pela “American Cancer Society, pelo Ministério da Saúde da Nova Zelândia e pela Faculdade de Medicina do Reino Unido, que “reconhecem o potencial do vaping como um método de redução de danos do tabaco”, lê-se num comunicado distribuído pela empresa.

Portugal é mais um “passo no sentido e cumprir a missão de melhorar a vida dos mil milhões de fumadores adultos em todo o mundo e, consequentemente, eliminar os cigarros”, continua a mesma nota. Uma missão em Portugal que anda à boleia do estudo da GFK, que inquirindo 2204 fumadores concluiu que 38% dos fumadores adultos nunca conseguiu deixar de fumar e 17% nunca sequer o tentou, mas consideraria fazê-lo se “houvesse alternativas melhores do que as existentes”, sendo essas identificadas como os adesivos de nicotina e goma.

A entrada em Portugal acontece quando do outro do lado do Atlântico adensam-se as dúvidas sobre a utilização de cigarros eletrónicos com sabores, com a administração Trump a pegar em mãos no assunto após 5 mortes terem sido associadas ao seu consumo. Grant Wonterton afastou-se da polémica, remetendo para um comunicado da agência para a saúde, a CDC, que está a investigar essas mortes. “O comunicado emitido diz que [as mortes] parecem estar relacionados com o THC, uma substância da canábis. Neste momento, a investigação não se direciona para os produtos com nicotina da JUUL”, defendeu, acrescentado que as autoridades norte-americanas aconselham que não se utilize “produtos que não foram testados”, algo que não sucede com a JULL. “Os nossos produtos foram testados. Não vemos sinais de termos contribuído estes danos”, rematou. Esperando que a CDC “continue a clarificar”, o presidente da JULL Labs EMEA, sublinhou que na Europa “não tem havido problemas” e que será “mais justo compararmos a realidade portuguesa à que encontramos noutros países da Europa”, finalizou.

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