É precisamente entre o Dubai e Khorfakkan que fica Al Madam, às portas do deserto, onde as pequenas lojas dedicadas à alimentação, turismo ou arranjos, substituem a arquitetura moderna e os ‘shoppings’ com ringues de patinagem no gelo, cascatas, aquários e espetáculos de luz e água.

Já no interior do deserto, avistam-se cercas onde dezenas de camelos e algumas galinhas coabitam. Os donos não são fluentes em inglês, mas não hesitam em abrir as cancelas para mostrar os seus animais, avisando, no entanto, que nem todos são tão dóceis quanto aparentam.

Não tão longe, é possível avistar-se uma vila abandonada a ser engolida pela areia, com uma pequena mesquita à entrada, ainda rodeada por arame farpado. O seu interior está agora completamente vazio e não conta a história daqueles que em tempo lá rezaram.

Este local é conhecido como ‘ghost town’ (cidade fantasma). A lenda diz que é habitada por ‘djinns’, uma espécie de criaturas sobrenaturais que afastaram os locais e amaldiçoam os turistas.

Apesar de se situar no deserto, as coordenadas da ‘ghost town’ encontram-se no GPS e grande parte do caminho está definido entre as dunas. Só as raras chuvas que afetam a região parecem afastar os turistas.

Após a mesquita seguem-se várias casas, sobretudo, de pequena dimensão, pintadas de branco e tijolo, já sem portas ou janelas.

A areia acumula-se no interior chegando a tapar, por completo, os aros das portas ou mesmo a roçar os tetos. Não restam vestígios de mobília ou artefactos da vida daqueles que por ali habitaram. Algumas paredes foram preenchidas com assinaturas, frases e até letras de canções.

Já em Khorfakkan os contrastes voltam a destacar-se. A cidade é pequena, comparada com o Dubai, e está rodeada por montanhas, verde e mar. Portugal também está presente através de um pequeno forte.

“É uma cidade pequena com cerca de 35.000 pessoas. Somos uma família, conhecemo-nos todos pelo último nome. Somos muito chegados”, disse o local Houd Alracesi, que falava à agência Lusa junto ao ‘miradouro’ de Al Rabi, entre as montanhas, onde é possível fazer percursos pedestres e observar a cidade.

As regras de permanência no local estão afixadas. A roupa deve ser “respeitosa”, não é permitido fumar ‘shisha’, ligar colunas de som, andar de bicicleta, mota ou a cavalo, nem passear com animais de estimação.

Segundo Alracesi, esta é uma cidade “calma e tradicional”, onde as pessoas estão “mais próximas das antigas tradições”, diferente do Dubai, “que está pensado para o turismo”.

Por sua vez, Hind J., de oito anos, que visitava o local com os pais, explicou “gostar mais desta cidade do que do Dubai”, destacando as “casas diferentes” e as “muitas cores”, bem como as “caminhadas e aventuras” disponíveis.

Nas montanhas, Qing Sun, natural da China, mas a viver em Paris, experimenta os trilhos de Sharjah e, apesar de estar “surpreendida com a chuva”, não deixa de elogiar a vista sobre a cidade.

“O Dubai é uma cidade grande. Aqui temos uma vista para a natureza. O Dubai é um bom sítio para fazer compras, mas aqui podemos estar entre as montanhas e o mar […]. Aqui mergulhamos dentro do país e entre as pessoas reais. Vemos como eles vivem e como a cidade é”, acrescentou, sublinhando que o Dubai é “muito internacional”, apresentando semelhanças com as restantes “cidades modernas”.

Contudo, nem todos defendem que Khorfakkan é sinónimo de tradição. Exemplo disso é o engenheiro japonês Kenzo Hannare, que reside no Dubai, cidade que diz ser “mais representativa” da região do Médio Oriente, onde também já é possível usufruir da natureza.

Junto à marginal e na praia vários locais aproveitam para passear, fazer piqueniques ou descansar, mesmo que o tempo não esteja convidativo.

No centro da cidade existem pequenos negócios, como cafés, restaurantes, lojas de telemóveis e barbeiros, onde se coloca a conversa em dia.

Para Suleman Alnaqbi, Khorfakkan é uma “cidade tranquila”, longe do trânsito do Dubai, mas com boas acessibilidades.

“Não há muito trânsito aqui. A vida é muito calma. Podemos ir a qualquer sítio, a partir daqui, em poucos minutos. Também temos praias e muitas atividades”, apontou Alnaqbi à Lusa, enquanto estava a aparar a barba.

Suleman Alnaqbi disse ainda que, hoje em dia, a cidade tem mais residentes locais do que turistas, estando longe dos “grandes edifícios”, mas focada no “natural”.

Apesar da “tranquilidade e segurança” do Dubai e de Khorfakkan, os Emirados Árabes Unidos (EAU) continuam a ser palco de ataques, tais como os que ocorreram na última semana.

Os EAU e forças dos Estados Unidos intercetaram dois mísseis balísticos disparados por rebeldes iemenitas Huthi sobre Abu Dhabi, o segundo ataque numa semana contra esta cidade, revelaram, na segunda-feira, as autoridades.

As tropas norte-americanas na Base Aérea de Al-Dhafra, na capital dos EAU, abrigaram-se em ‘bunkers’ durante o ataque e responderam com os seus próprios mísseis Patriot, segundo noticiou a agência Associated Press (AP).

Os ataques ameaçam a economia e turismo dos EAU, uma federação de sete emirados.

Na semana anterior, os rebeldes xiitas, apoiados pelo Irão, atacaram uma zona do aeroporto internacional de Abu Dhabi e uma zona industrial desta cidade, provocando uma severa resposta da coligação militar liderada pela Arábia Sauita contra as posições Huthis no Iémen.

* A Lusa viajou para o Dubai a convite da AICEP

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