Segundo a AFP, o governo investiu somas colossais no projeto, ainda inacabado, da reconstrução desta cidade, que já foi a capital de um condado fronteiriço com a China e onde nasceu, de acordo com a propaganda norte-coreana, Kim Jong-il, pai e antecessor de Kim Jong-un.

O líder norte-coreano esteve muito envolvido nesta iniciativa, tendo visitado os projetos de construção várias vezes. O jornal Rodong Sinmun, órgão de propaganda do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, publicou fotografias de Kim Jong-un a cortar uma fita para inaugurar a cidade perante milhares de pessoas.

Para além de um museu sobre a revolução, um estádio para desportos de inverno, uma estância de esqui, uma nova linha ferroviária para Hyesan e uma fábrica de tratamento de mirtilo e batata (os dois recursos mais importantes da região), Samjiyon terá ainda 10.000 residências capazes de acomodar quatro mil famílias e 360 quarteirões de edifícios públicos e industriais, segundo a KCNA.

A Coreia do Norte tem sido alvo de várias sanções da comunidade internacional por causa dos seus programas nucleares e balísticos, o que tem prejudicado a sua economia. Contudo, a KCNA apresentou Samjiyon como um sinal da resiliência económica do país. A inauguração coincide com um momento de estagnação nas negociações com Washington, após o fiasco da cimeira de Hanói entre Kim e o presidente dos EUA, Donald Trump, em fevereiro.

Numa visita recente, a AFP viu milhares de pessoas a trabalhar nas obras de Samjiyon, incluindo muitos militares, sendo que multidões de estudantes também foram mobilizadas durante as férias.

Segundo a Reuters, alguns críticos do regime — de desertores a ativistas dos direitos humanos — consideraram os trabalhos como "escravatura", já que os envolvidos não são pagos, têm más condições de alimentação e poderão ter de trabalhar mais de 12 horas por dia nos próximos 10 anos para garantir que podem entrar na universidade ou nas bases do partido único.

"Kim entregou-se de corpo e alma para fazer do condado de Samjiyon o lugar sagrado da revolução, uma utopia urbana do socialismo", disse terça-feira uma nota da agência noticiosa oficial norte-coreana, a KCNA. O líder norte-coreano, de resto, não é alheio a ações de propaganda:  muito recentemente, foi fotografado sobre um cavalo branco no Monte Paektu.

Pyongyang não informou quanto custou o projeto, que em princípio será realizado em fases. Kim pediu que estivesse pronto para o 75º aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores da Coreia em outubro de 2021, mas a falta de materiais de construção e de trabalhadores têm resultado em sucessivos atrasos.

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