Cerca de três dezenas de membros do Livre juntaram-se na Alameda D. Afonso Henriques para uma “pedalada” ao final da tarde com destino marcado: o Martim Moniz, fazendo todo o percurso de bicicleta por uma das ciclovias mais polémicas da cidade de Lisboa, na Avenida Almirante Reis.

A ciclovia, que se estende por cerca de três quilómetros e que o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), já anunciou querer eliminar, não é o problema para o Livre, que defende que toda a avenida deveria ser redesenhada para ser mais segura.

“O que o Livre propõe para a Almirante Reis é um reperfilamento da avenida que permita desde logo responder à questão da segurança. Ela tem que ser mais segura, essa é a primeira prioridade, seja para automobilistas, seja para transeuntes, ciclistas, para toda a gente ela tem que ser mais segura”, defendeu o cabeça-de-lista por Lisboa do Livre e também vereador sem pelouro na autarquia de Lisboa, Rui Tavares, aos jornalistas.

Esta quarta-feira, numa reunião pública de câmara, o presidente da Câmara de Lisboa assegurou que vai continuar a investir na rede ciclável, ressalvando que tal implica avaliar a segurança, inclusive para encontrar “muito brevemente” uma alternativa para a ciclovia da Almirante Reis.

Na opinião de Rui Tavares, a solução passa por “redesenhar entradas de metro, paragens de autocarro, para que os autocarros possam entrar nos passeios e deixar entrar os outros carros, para que se possa sair em segurança”.

“Têm que se elevar os passeios para que gente que tem mobilidade reduzida ou que esteja em cadeira de rodas possa sair facilmente dos autocarros, há muito a fazer e o Livre vai apresentar uma proposta de reperfilamento da Almirante Reis no quadro de debate autárquico que se faz na Câmara de Lisboa”, avançou, autarquia na qual o partido elegeu, para além de Rui Tavares, uma deputada na Assembleia Municipal, Isabel Mendes Lopes.

De acordo com Tavares, a Almirante Reis “não é uma via problemática desde que há ciclovias, sempre foi”, apontando que esta tem que ser “despoluída” e uma via “para todos”, incluindo os automóveis, que também devem ter lugar nesta avenida.

“Sem a Almirante Reis, não pode haver uma rede ciclável em Lisboa digna desse nome, porque é uma das principais vias estruturantes da cidade”, vincou.

Questionado sobre a intenção do atual presidente social-democrata da Câmara, Carlos Moedas, de eliminar esta ciclovia, Tavares respondeu que o anúncio foi “um erro” e que “mais valeria recuar”.

“(…) é um passo que não devia ter dado, contribuiu para criar uma guerra cultural entre automobilistas e ciclistas que é artificial, que é empolada e de que nós não precisamos e ainda por cima não sabe como descalçar essa bota. Acho que mais valeria recuar, reconhecer que tentar fazer divergir as bicicletas para as vias alternativas é muito mais difícil porque elas são muito mais acidentadas, têm um piso muito pior, mais fácil é fazer isso com os automóveis e deixar a ciclovia na Almirante Reis”, respondeu.

Tavares comentou ainda as declarações do socialista Augusto Santos Silva, num debate na CNN Portugal, sobre a eventual necessidade de um "acordo de cavalheiros" entre PS e PSD para viabilizar soluções minoritárias de Governo, insistindo na ideia de que um voto no Livre é mais útil do que no PS.

“Se o PS não vai estar na oposição então, nesse caso, as pessoas que estão a pensar votar útil no PS devem pensar duas vezes, porque a partir de dia 31 vão precisar de ter uma oposição muito clara, baseada nos direitos humanos, que são a nossa linha vermelha, na defesa do estado social e dos direitos sociais que são a nossa linha verde, na defesa do combate às alterações climáticas e por isso, o voto no Livre é um voto duplamente útil, logo no dia 30 e para uma legislatura de quatro anos”, declarou.

Descida a avenida, a pedalar, de bandeiras ao alto e ao som das campainhas, os membros do Livre juntaram-se numa espécie de “mini-comício” na praça do Martim Moniz, onde Rui Tavares subiu a um pequeno muro para assegurar que no dia 31 de janeiro o Livre estará na Assembleia da República “para ficar”.

Esta noite o partido realiza o primeiro e único comício da campanha, no auditório do Liceu Camões, em Lisboa, que intitulou como “Festa de encerramento” - apesar de ainda ter agenda para o último dia de corrida – e que vai contar com animação musical e intervenções de vários cabeças-de-lista do Livre: desde Jorge Pinto, pelo Porto, Paulo Muacho, por Setúbal, Joana Filipe, por Aveiro, a Rui Tavares, por Lisboa.

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