Agostinho Gonçalves emitiu hoje um comunicado onde explica que apresentou a sua demissão e justifica que não o fez "de ânimo leve ou movido por qualquer sentimento de retaliação", mas sim "com mágoa", acusando a cúpula do PS de “estalinismo primário”.

"Não é admissível que uma estrutura local - seja ela qual for (neste caso a Concelhia da Guarda) - possa ser vetada a um total degredo e aberrante desprezo institucional", refere o dirigente demissionário.

No comunicado, o responsável justifica que esta atitude apenas é "compreensível, se secundada por uma estratégia de ‘limpeza étnica' (em termos políticos, leia-se), numa clara purga e perseguição de determinados militantes".

"Assim, se um partido recusa o diálogo, o planeamento político e a definição de uma estratégia com as estruturas eleitas, estas de nada servem", acrescenta.

No comunicado enviado à agência Lusa, o socialista denuncia que, "nesta senda, prefere o PS dialogar com ‘estruturas sombra' (não eleitas), corporizadas por um conjunto de distintas e anónimas individualidades".

"A cúpula, ao estilo ‘União Nacional', de um estalinismo primário, que deveria envergonhar qualquer socialista (qualquer democrata), ostraciza as estruturas locais, na hipótese de os seus dirigentes não serem do agrado dos ‘senhores e senhoras' que mandam (na verdade) eternamente no partido em termos locais", aponta.

Segundo Agostinho Gonçalves, "chega a ser caricato que o PS, um partido plural, assuma internamente a defesa do ‘partido único'".

"Lamento que se tenha chegado ao ponto de um presidente de [Comissão Política] Concelhia não conseguir, sequer, obter qualquer resposta às várias mensagens de correio eletrónico enviadas às estruturas nacionais do partido", refere.

O líder concelhio demissionário sublinha que estará "sempre disponível para trabalhar no interesse" do partido, "mas nunca desta forma".

Contactado pela Lusa, Agostinho Gonçalves remeteu as explicações da demissão para o comunicado e adiantou que também tem intenção de apresentar, "mais tarde", a renúncia ao mandato de deputado na Assembleia Municipal da Guarda.

Agostinho Gonçalves foi eleito líder da maior concelhia socialista do distrito da Guarda em janeiro de 2018.

Em julho, também se demitiu o líder distrital do partido, Pedro Fonseca, por a proposta da distrital de candidatos às eleições legislativas ter sido chumbada pela Comissão Política Distrital do PS.

O socialista Pedro Fonseca, que também era vereador na Câmara Municipal da Guarda, foi substituído no executivo municipal por Cristina Correia.

O outro vereador socialista, Eduardo Brito - que foi o candidato do PS nas eleições de 2017 - anunciou em novembro que no final do ano vai renunciar ao cargo por "razões de ordem política", para não "atrapalhar" a escolha do candidato autárquico em 2021.

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