"Assim que esses líderes forem identificados, a pedido do governo do estado do Amazonas, eles serão transferidos", afirmou.

A decisão do Governo brasileiro foi anunciada dois dias depois da revolta comandada por grupos e fações rivais numa cadeia nos arredores de Manaus, capital do estado do Amazonas.

Durante o motim, que durou 17 horas, corpos ensanguentados e queimados foram vistos empilhados num pátio da prisão.

Um total de 184 presos escaparam e até agora 40 foram capturados, informou o ministro da Justiça brasileiro.

A rebelião já é considerada uma das mais mortíferas entre as numerosas revoltas em prisões da América Latina na última década.

Policias fortemente armados ainda estão a perseguir presos que escaparam através de uma série de túneis descobertos no complexo penitenciário.

Quando a polícia finalmente restaurou a ordem dentro da prisão, liberando 12 guardas que foram tomados como reféns, as autoridades encontraram uma cena horrível, com vítimas decapitadas e marcas de muita violência.

As prisões do Brasil são frequentemente controladas por quadrilhas de traficantes de drogas, cujas guerras no exterior também são travadas no interior das unidades prisionais.

Em outubro do ano passado, aconteceram três motins em cadeias da região norte o país, com presos a fazerem visitantes como reféns, decapitando rivais em confrontos que acabaram com a morte de 33 pessoas.

A causa destes motins seria uma guerra entre membros das duas maiores quadrilhas do país, o PCC e o Comando Vermelho (CV).

O secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, afirmou aos jornalistas que há uma guerra silenciosa pelo controle do tráfico de drogas nas prisões do país e que o Governo precisa intervir.

"O que vimos neste caso, uma fação lutando contra outra é uma luta por dinheiro e espaço", disse.

Além das autoridades governamentais, grupos de direitos humanos também consideram que as condições das prisões brasileiras acabam por facilitar a ocorrência de confrontos sangrentos.

"O problema começa com a superlotação. Quando você coloca detidos de fações rivais na mesma unidade prisional não há controlo sobre o que acontece lá dentro", disse o advogado e ativista Marcos Fuchs.

Cerca de 622 mil pessoas estavam detidas no Brasil no final de 2014, segundo o último relatório sobre o sistema prisional do Ministério da Justiça.

As prisões do país precisam aumentar a sua capacidade em 50% para lidar com o número atual de presos. O Brasil tem hoje a quarta maior população carcerária do mundo, ficando atrás dos Estados Unidos, China e Rússia.

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