Após a saída das forças lituanas da província afegã de Ghor, em 2013, Abdul Basir Yususi, de confissão católica, deixou o seu país no início de 2016. "Tudo mudou quando os talibãs me enviaram uma carta com ameaças. Diziam que eu era um católico e não muçulmano, que iam cortar-me a cabeça, que iam enforcar-me", contou ao chegar à Lituânia no início de abril. "Procurei a polícia, mas eles disseram que não poderiam fazer nada, nem eles nem o exército. Sugeriram que eu comprasse uma arma", acrescentou.

Após dois meses de uma viagem perigosa que custou "entre 6.000 e 7.000 euros", o jovem afegão chegou à Grécia. De lá, pediu ajuda, em lituano, à presidente lituana Dalia Grybauskaite através de um vídeo publicado no Youtube. O vídeo foi partilhado nas redes sociais e Yususi obteve um visto de cinco dias para viajar para a Lituânia e fazer um pedido de asilo, obtido nesta quarta-feira. "Ele está de facto em perigo, e por isso concedemos-lhe proteção internacional e o estatuto de refugiado", disse à AFP Elvinas Jankevicius, ministro do Interior.

Yususi, que aprendeu a falar lituano depois de ter trabalhado para as tropas daquele país, agora pretende tirar a família do Afeganistão. No âmbito do programa de recolocação de refugiados da UE, a Lituânia comprometeu-se a acolher 1 105 pessoas em dois anos. Até agora, onze refugiados do Iraque e da Síria chegaram ao país báltico, de acordo com o ministro do Interior. 

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