Nascido em 16 de fevereiro de 1973, Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves, 45 anos, é licenciado em Direito pela Universidade Católica.

Chegou à Assembleia da República em 2002, quando Durão Barroso era presidente do PSD e primeiro-ministro, depois de ter iniciado uma carreira política que começou na JSD e passou pela Câmara Municipal de Espinho, onde foi vereador.

Entrou no PSD através da JSD de Espinho, a que presidiu entre 1994 e 1996, e foi também vereador na câmara (1997/2001). Nas autárquicas de 2005, candidatou-se a presidente do município, mas foi derrotado por José Mota, do PS.

Deputado durante 16 anos consecutivos, sempre eleito pelo círculo de Aveiro, chegou a vice-presidente do grupo parlamentar em 2010, na direção de Miguel Macedo.

Um ano depois, em junho de 2011, já após a vitória de Pedro Passos Coelho nas legislativas, candidatou-se à liderança da bancada social-democrata e foi, com Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP, a dupla de defesa, na frente parlamentar, da coligação de direita durante os anos da intervenção externa da ‘troika’ em Portugal.

Nas disputas internas no PSD, Luís Montenegro teve opções diferentes. Nas diretas de 2007, entre Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, foi mandatário distrital do ex-autarca de Gaia.

Em 2008, assumiu o lugar de porta-voz da candidatura à liderança de Pedro Santana Lopes, contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho. Em nova disputa interna em 2010 apoiou Passos Coelho, contra Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco.

Nas últimas diretas, Montenegro apoiou Santana Lopes contra Rui Rio já na reta final da campanha interna e, no congresso de fevereiro, assumiu-se como uma reserva para o futuro, depois de ter considerado, em outubro de 2017, “não estarem reunidas as condições pessoais e políticas” para disputar então a liderança do PSD, na sequência da saída de Passos Coelho.

“Desta vez decidi dizer ‘não’. Se algum dia decidir dizer sim, não vou pedir licença a ninguém”, avisou em 17 de fevereiro de 2018, no congresso do PSD, em Lisboa.

Quando deixou o parlamento, em 5 de abril de 2018, já após a saída de Passos Coelho, Luís Montenegro afirmou, em entrevista à Lusa, que o seu desejo era que o presidente do partido fosse primeiro-ministro em 2019, considerando “um erro colossal” colocar a hipótese de Rui Rio não terminar o mandato.

Em outubro de 2018, ajudou a “travar” a realização de um congresso extraordinário, promovido por André Ventura, que, entretanto, abandonou o partido.

Mas, os meses passaram e a conjuntura interna mudou.

Na quarta-feira, deu um sinal de que o seu compasso de espera no partido estaria prestes a terminar: “Muito em breve falarei sobre o estado do PSD, falarei mesmo sobre o futuro do PSD porque entendo que este estado de coisas tem de acabar e isto tem de mudar: o PSD assim não se vai conseguir afirmar”, argumentou, no programa “Almoços Grátis” da TSF.

No dia seguinte foi anunciada a declaração de hoje, no Centro Cultura de Belém, em Lisboa, numa altura em que Rui Rio está prestes a completar um ano à frente do partido – foi eleito em 13 de janeiro contra Pedro Santana Lopes com 54% dos votos – e quando ainda falta outro para completar o seu mandato.

As faltas parlamentares para assistir a jogos do FC Porto, clube do qual é adepto, e da seleção nacional ou a sua alegada pertença à mesma loja maçónica do ex-diretor dos serviços de informação Jorge Silva Carvalho - que nunca confirmou, nem desmentiu – foram algumas das polémicas que viveu na Assembleia da República.

Adepto da redução de deputados e do voto preferencial, Montenegro já defendeu a extinção do Tribunal Constitucional – que passaria a funcionar como uma secção do Supremo Tribunal de Justiça – e sugeriu um sistema eleitoral como o grego, em que o partido vencedor das eleições obtém um ‘bónus’ de 50 deputados, facilitando as maiorias absolutas.

Foi um apoiante do atual Presidente da República, a quem Marcelo Rebelo de Sousa retribuiu elogiando as suas “qualidades invulgares” e vaticinando-lhe “muitos sucessos políticos” ainda ao longo do seu mandato em Belém, que só termina em 2021.

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