Durante as alegações finais, o advogado de Luís Pina, Melo Alves, pediu a absolvição do seu cliente, admitindo, no entanto, que este pudesse ser condenado por homicídio por negligência consciente.

Na altura, Melo Alves defendeu que quem infringiu as regras da estrada não foi Luís Pina, mas Marco Ficini, criticando a investigação da Polícia Judiciária.

O Ministério Público pediu a condenação do arguido por homicídio por dolo eventual, omissão de auxílio e ofensas à integridade física.

Luís Pina, ligado à claque benfiquista No Name Boys, foi acusado pelo Ministério Público do homicídio de Marco Ficini e de outros quatro homicídios na forma tentada - dos quais foi agora absolvido -, enquanto os restantes 21 arguidos no processo (com ligações aos No Name Boys ou à claque sportinguista Juventude Leonina) foram acusados de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

Os factos remontam à madrugada de 22 de abril de 2017, quando Marco Ficini, que pertencia à claque do clube italiano Fiorentina 'O Club Settebello' e era adepto do Sporting, morreu após um atropelamento e fuga junto ao Estádio da Luz, horas antes de um jogo entre o Sporting e o Benfica.

De acordo com o juiz Francisco Henriques, os quatro crimes de tentativa de homicídio de que Luís Pina estava acusado “não ficaram provados.

Os restantes 21 arguidos no processo foram todos absolvidos por não terem sido também dado como provados os crimes de que estavam acusados.

Durante a leitura do acórdão, o juiz, dirigindo-se ao réu Luis Pina, lembrou-o de que o tribunal “não conseguiu mais pormenores da forma como aconteceu o atropelamento”, além dos referidos durante o processo.

“Não se pode dizer é que estava com medo, como aqui disse, senão não tinha ido para o meio da multidão. Fique então com a certeza de que aquilo que o senhor fez não foi bem feito e com esta dúvida de que teve um tremendo benefício, apesar da pena de prisão a que foi sujeito”, disse Francisco Henriques.

Apesar da condenação, Luís Pina não terá de pagar a indemnização civil de 600 mil euros pedida pela família da vítima. Segundo o advogado de defesa, Melo Alves, houve um erro na entrega desse pedido, uma vez que não foi dirigido à companhia de seguros, como era necessário.

À saída do tribunal no Campus de Justiça, em Lisboa, o advogado da família de Ficini, Normanha Sales, escusou-se a comentar a sentença aplicada, referindo que a família lhe pediu para não se pronunciar.

“Se houver eventualmente algum recurso, será público, poderá haver subsunção dos factos, eventual nova qualificação dos factos, é isso que a Relação poderá fazer”, limitou-se a indicar aos jornalistas.

Os arguidos não estiveram presentes na totalidade - aliás, nenhum dos arguidos afetos à claque sportinguista esteve na sessão.

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