“A organização da ajuda interacional cabe evidentemente a Sua Majestade o Rei e ao Governo de Marrocos, de forma totalmente soberana, e estamos à disposição da sua escolha soberana”, declarou Emmanuel Macron na rede social X (ex-Twitter).

“Desde o primeiro segundo que adotámos uma posição sensata e desejo que todas as polémicas que se destinam a dividir, a complicar as coisas num momento tão trágico, se silenciem por respeito a todas e a todos”, acrescentou.

No domingo, Rabat anunciou ter aceite o apoio de quatro países (Espanha, Reino Unido, Qatar e Emirados Árabes Unidos) mas não solicitou a ajuda francesa, suscitando muitas interrogações.

As relações entre Marrocos e a França, antiga potência colonial onde vive uma importante diáspora marroquina, agravaram-se após Macron ter ensaiado uma aproximação à Argélia, que em 2021 rompeu as suas relações diplomáticas com Rabat alegando “atos hostis”.

Marrocos também censura a França por não se ter juntado aos Estados Unidos e Israel, que reconheceram a soberania marroquina do Saara ocidental, território controlado em cerca de 80% por Marrocos, uma posição que Madrid também acatou.

Paris anunciou uma ajuda e cinco milhões de euros para diversas ONG presentes no terreno e envolvidas nos trabalhos de socorro.

Na manhã de hoje, o líder dos senadores de um partido de direita em França considerou que a colonização francesa em África foi assinalada por “horas negras” mas também por “horas que foram belas”, e lamentou a “contrição perpétua” que na sua perspetiva “enfraquece” o país.

“A colonização teve decerto horas que foram negras, mas também horas que foram belas, com as mãos estendidas”, declarou Bruno Retailleau, do partido Os Republicanos (Les Républicains LR), na Sud Radio.

O senador comentava o “silêncio” de Marrocos face à ajuda proposta pela França após o devastador sismo de sexta-feira. “Os sinal do falhanço da política africana de Macron”, considerou o líder conservador ao estabelecer uma ligação com os recentes golpes no Mali, Burkina Faso e Níger.

O sismo que atingiu Marrocos a 8 de setembro causou mais de 2.800 mortos e mais de 2.500 feridos e provocou danos generalizados na região de Marraquexe.

O tremor de terra, cujo epicentro se registou na localidade de Ighil, 63 quilómetros a sudoeste da cidade de Marraquexe, foi sentido em Portugal e Espanha, tendo atingido uma magnitude de 7,0 na escala de Richter, segundo o Instituto Nacional de Geofísica de Marrocos – o Serviço Geológico dos Estados Unidos registou uma magnitude de 6,8.

Este sismo é o mais mortífero em Marrocos desde aquele que destruiu Agadir, na costa oeste do país, em 29 de fevereiro de 1960, causando entre 12.000 e 15.000 mortos, um terço da população da cidade.

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