"Levo 33 anos a investigar os cogumelos silvestres e digo que este outono é, sem dúvida, o pior para a proliferação dos cogumelos devido à seca e aos incêndios", frisou o também investigador do Instituto de Restauración y Medio Ambiente de Leon, Espanha, numa alusão ao que se passa em todo o território da Meseta, abrangendo Trás-os-Montes e Alto Douro, bem como Zamora e Salamanca.

Para o estudioso da micologia ibérica e do sul da Europa, “se não chover mais antes da entrada do frio de inverno”, a ausência de proliferação de cogumelos silvestres de praticamente todas as espécies poderá "ser quase total".

"Com o frio e com as geadas, os cogumelos não frutificam", observou.

Por outro lado, os incêndios que assolaram o país também provocaram danos irreparáveis na proliferação de cogumelos já que os solos por onde passou o fogo "ficaram completamente ressequidos".

"Há uma perda de micorrizas incalculável que só poderá ser ultrapassada daqui a 20 ou 25 anos e que depende da plantação e crescimento de árvores como os castanheiros, carvalhos ou pinheiros", explicou.

Na opinião de Juan António Sánchez, se o pior cenário se confirmar, “pode estar em causa” cerca de um milhar de postos de trabalho sazonais.

"Há que uma dupla vertente que abrange os trabalhadores sazonais, que têm na apanha de cogumelos um recurso económico importante, e, por outro lado, as empresas que transformam os cogumelos e ficam sem matéria-prima, o que poderá originar despedimentos", constatou.

O investigador avançou, que as empresas que se dedicam à transformação de cogumelos silvastes neste território da Meseta Ibérica estão a fazer a sua aquisição de espécimes em países da Europa de Leste.

Juan António Sánchez é presença habitual em conferências europeias que estudam os cogumelos e parceiro da Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes ou do Instituto Politécnico de Bragança e colaborou em mais de três dezenas de livros e outras publicações sobre cogumelos silvestres em países como Portugal, Espanha ou Itália.

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