Este ano retornam a Meca os peregrinos iranianos, que não viajaram em 2016 após a rotura de relações entre a república islâmica e o reino saudita.

Este ano o hajj, um dos cinco pilares do islão, acontece num momento de grave crise entre os países do Golfo e sob a ameaça do grupo extremista Estado Islâmico (EI), cercado no Iraque e na Síria.

As autoridades sauditas mobilizaram-se para evitar a repetição da tragédia de 2015, quando um tumulto deixou quase 2.300 mortos, incluindo 464 iranianos.

Depois da tragédia, o Irão criticou duramente a Arábia Saudita pela organização da peregrinação.

Em janeiro de 2016 os dois países romperam as relações diplomáticas. A decisão foi tomada por Riad após o ataque à sua embaixada em Teerão por manifestantes que protestavam contra a execução na Arábia Saudita de um líder religioso xiita.

A peregrinação ocorre num momento de crise entre a Arábia Saudita e os seus aliados com o Catar, país acusado de apoiar o "terrorismo" e de ser muito próximo do Irão. Desde 5 de junho o Catar vive isolado e sob um duro embargo.

O bloqueio dificulta a peregrinação dos cataris, mas na semana passada o governo saudita anunciou que a fronteira permaneceria aberta para os fiéis que pretendiam viajar até Meca. 

Ao mesmo tempo, o EI perdeu nos últimos meses grande parte do território que controlava no Iraque e na Síria, mas continua reivindicado ataques no Oriente Médio e na Europa. As autoridades sauditas afirmam que estão preparadas para esta ameaça.

O ministério do Interior anunciou a mobilização de mais de 100.000 agentes de segurança no itinerário do "hajj".

A peregrinação

Para os fiéis, o hajj começa com a proclamação da intenção de realizar o rito espiritual. Quando chegam ao perímetro estabelecido ao redor de Meca, devem purificar-se e usar apenas pedaços de roupa sem costura.

Depois os peregrinos dão sete voltas na Kaaba, uma construção cúbica ao redor da qual foi construída a Grande Mesquita. A cada volta devem beijar uma pedra incrustada numa das pontas da Kaaba.

A etapa seguinte é o deslocamento entre Safa e Marwa - dois lugares próximos à Grande Mesquita - seguindo os passos de Hajar, esposa do profeta Abraão, que, segundo a tradição muçulmana, fez o trajeto em busca de água para seu filho, o profeta Ismail, até que a fonte de Zamzam surgiu aos seus pés.

Depois disso, os fiéis deslocam-se para o vale de Mina, onde devem pernoitar, antes do momento culminante para a peregrinação: uma jornada de orações e evocações no Monte Arafat.

Ao cair da noite, os peregrinos dirigem-se a Muzdalifa para se preparar para o Aid al Adha, a festa do sacrifício, que consiste em imolar um cordeiro em memória de Abraão, que, segundo a tradição muçulmana, esteve a ponto de imolar o filho Israel diante do arcanjo Gabriel, que no último momento mandou que o substituísse por um animal.

Os fiéis realizam em seguida o apedrejamento das três colunas que representam satanás em Mina, a 8 km de Muzdalifa. No primeiro dia devem atirar sete pedras contra a maior das colunas, e durante os dois dias seguintes 21 contra os três pilares, grande, médio e pequeno.

A peregrinação termina com novas voltas em torno da Kaaba.

Este ano, as autoridades colocaram ventiladores na esplanada da Grande Mesquita para ajudar os fiéis a suportar o calor, que deve ficar entre 30 e 39 graus.

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