Marcelo Rebelo de Sousa, que falava durante um encontro com alunos na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, justificou no final aos jornalistas a decisão de continuar com ações de campanha, apesar da gravidade da evolução da covid-19 em Portugal, com o argumento de que "a democracia não se deve suspender".

Durante esta iniciativa, o chefe de Estado e candidato presidencial voltou a assumir "a responsabilidade máxima por aquilo que corre bem ou mal" na gestão política do combate à covid-19 em Portugal, realçando que além de declarar o estado de emergência também assina os decretos de execução do Governo.

"Era mais cómodo dizer: a culpa é de Governo, naquilo que são pormenores, porque eu defini o quadro geral e o Governo executa - mas acho que não era honesto. Eu prefiro ser julgado daqui a quatro dias, qualquer que seja o sentido do julgamento, por aquilo que fiz, não fiz, o Governo fez, não fez, o parlamento autorizou ou não, porque se não neste país nunca ninguém é responsável por nada. Aqui, sou eu, pronto, sou eu, ponto final, parágrafo", afirmou.

Perante cerca de 50 alunos sentados em cadeiras dispostas no auditório da escola, um antigo ginásio, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que, com a sua experiência de "analista político durante 50 anos", já analisou todos os dados disponíveis e não tem "estados de alma" em relação aos resultados das eleições.

"Basta que a abstenção atinja 70% para tornar quase inevitável uma segunda volta, porque a abstenção pune em função da intenção de voto dos vários candidatos, atinge mais os que têm mais intenção de voto", apontou.

No liceu onde estudou entre 1959 e 1966, o professor catedrático de direito jubilado, que se recandidata a Presidente da República apoiado por PSD e CDS-PP, considerou que "quem vai a uma eleição ganha ou perde e não fica mais infeliz por perder ou mais feliz por ganhar, é assim, faz parte da lógica das coisas".

No final desta iniciativa, em que esteve perto de duas horas e meia à conversa com os alunos, a comunicação social perguntou-lhe se não deveria interromper a campanha e ficar no Palácio de Belém como Presidente da República.

"Mas eu sou sempre Presidente, ao mesmo tempo que sou candidato, e uma coisa que é fundamental é não dar aos portugueses, que devem votar no domingo, um sinal contraditório do apelo à votação", respondeu. "Uma coisa é ir ponderando a resposta à pandemia, outra coisa é suspender a democracia. A democracia não se deve suspender", acrescentou.

Em seguida, Marcelo Rebelo de Sousa fez um apelo à participação nas eleições de domingo, defendendo que "o dia da votação deve decorrer com os portugueses a perceberem que é muito importante votarem, que é muito importante votarem respeitando as regras sanitárias".

O candidato presidencial mencionou que "inúmeras democracias assim o fizeram" durante a atual pandemia de covid-19.

"Acho que isso é uma maneira de mostrar um empenho na afirmação da democracia, não a suspendendo, não a paralisando, não a parando, não a adiando. Portanto, uma coisa é resposta serena e ponderada aos desafios da pandemia, outra coisa é afirmarmos a importância de vivermos em democracia, haja ou não pandemia", reforçou.

Durante a parte de perguntas dos alunos, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado se dispensava algum dos apoios que recebeu, a propósito de um artigo do antigo primeiro-ministro José Sócrates em que este criticou a candidata Ana Gomes, acusando-a de fazer "maldosas insinuações" em relação ao Presidente da República.

O chefe de Estado respondeu-lhe que foi ler o artigo por curiosidade e verificou que "não havia apoio" de Sócrates à sua recandidatura. Contudo, observou que um candidato "não escolhe os apoios" e que surgem "por milhentas razões", ou porque "gostam" dele, ou porque "do mal o menos", ou "por razões conjunturais de interesse".

Na sua intervenção inicial, Marcelo Rebelo de Sousa disse que decidiu vir a esta escola secundária, no dia do aniversário desta instituição à qual está pessoalmente ligado, para ouvir a opinião dos jovens sobre a pandemia de covid-19 e deixar a mensagem de que a gravidade da situação, com os serviços de saúde sobrecarregados, "toca a toda a gente", porque qualquer um pode precisar de ser internado.

"Eu insisti em vir cá, mesmo em pleno debate sobre se fecham ou não as escolas, e mesmo com imensa gente a dizer: mas como vai para uma escola, mas que loucura", declarou, acrescentando: "Vim cá depois de ter feito um teste ontem [terça-feira] à tarde, e já hoje fiz outro teste e já soube resultado do antigénio, que é negativo".

(Notícia atualizada às 20h55)

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