Em resposta a questões dos jornalistas, no Funchal, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que Alberto João Jardim aponta "problemas em termos de dívida pública, em termos de lei de finanças regionais, em termos de sistema fiscal, em termos de centro de negócios aqui da Madeira", acrescentando: "O que é tudo verdade".

O Presidente da República, que falava na Praça do Município, antes de um almoço com autarcas da Madeira, desdramatizou, contudo, as reivindicações regionais, enquadrando-as como "parte daquilo daquilo que é a tensão salutar e natural que existe entre as regiões autónomas e a República".

Questionado sobre a carta aberta que Alberto João Jardim lhe dirigiu, hoje publicada no Jornal da Madeira, Marcelo Rebelo de Sousa começou por dizer que o próprio ex-presidente do executivo madeirense lhe enviou o texto, assim como um livro que lançou recentemente, "com uma dedicatória muito simpática, muito amiga".

"Somos amigos há 50 anos", declarou o chefe de Estado e antigo presidente do PSD.

Interrogado se entendeu esta carta aberta do ex-presidente do PSD/Madeira como um recado, o Presidente da República retorquiu: "Ele só dá recados. Dá frontalmente, é a maneira de ser do doutor Alberto João Jardim. Eu aprecio aquele estilo: pão, pão; queijo, queijo".

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Alberto João Jardim "defende o que sempre defendeu: defende que se deve rever a Constituição, porventura ir mais longe para um Estado federal, com estados federados, e não um Estado regional com regiões autónomas".

Nesta carta aberta, Jardim sustenta que "o território português e politicamente autónomo que é o arquipélago da Madeira tem um futuro muito comprometido se a autonomia política não for maior, de acordo com as necessidades evidente e objetivamente inventariadas".

O ex-presidente do Governo Regional da Madeira afirma que o futuro da região ficará comprometido se não se acertar "a questão da 'dívida' pública em moldes da justiça decorrente das circunstâncias de séculos e atuais" e realça "os 'perdões de dívida' feitos por Portugal a povos que legitimamente optaram pela independência".

Na sua opinião, o futuro também ficará comprometido se a República "não propiciar às finanças regionais um regime legal, estável e eficaz, a par de um imprescindível sistema fiscal próprio, adequado também ao interesse nacional, e promotor da competitividade do Centro Internacional de Negócios".

O Presidente da República chegou à Madeira na segunda-feira à noite com um programa intenso, até quinta-feira, para as celebrações do 10 de Junho.

Na quinta-feira, terá lugar a Cerimónia Militar Comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na Praça da Autonomia e na Avenida do Mar, no Funchal.

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