“Enquanto médicos assistentes, apelamos a Alexei Navalny e pedimos-lhe que acabe imediatamente com a greve de fome para preservar a sua vida e a sua saúde”, indicaram cinco médicos, incluindo Anastassia Vassilieva, a médica particular do opositor russo, numa carta publicada por órgãos de comunicação social filiados à oposição ao Kremlin.

O grupo de médicos referiu que teve acesso aos resultados das análises feitas a Navalny desde a transferência, no início da semana, para um hospital dedicado aos cuidados de saúde de prisioneiros com tuberculose.

“Continuar a jejuar pode prejudicar significativamente a saúde de Alexei Navalny e pode levar ao resultado mais triste: a morte”, prossegue o grupo na carta divulgada por ‘media’ da oposição.

Entre os perigos “consideráveis” estão, em particular, “sintomas de insuficiência renal, sintomas neurológicos e hipotermia grave”, que podem degenerar em problemas irreparáveis.

Através de uma mensagem emotiva ‘atrás das grades’, Navalny disse que sente “orgulho e esperança” depois de saber através do advogado dos protestos em massa que decorreram em várias cidades russas a exigir a sua libertação imediata.

Através de uma publicação na rede social Instagram, Alexei Navalny considerou que as manifestações são “a salvação da Rússia”.

O ativista, de 44 anos, disse que não sabia o que “estava a acontecer realmente”, já que dentro da prisão apenas tem acesso a um canal de televisão, mas depois da visita de hoje do advogado ficou a saber da mobilização popular.

“As pessoas estão a marchar nas ruas. Isto significa que sabem e percebem tudo (…). Não vão desistir do futuro, do futuro das suas crianças, do país. Sim, vai ser difícil e negro durante algum tempo, mas os que historicamente atrasam a Rússia estão condenados. Há mais de nós de qualquer modo. A Rússia vai ficar feliz”, referiu.

Navalny está em greve de fome desde o final de março, para denunciar as condições da sua detenção.

Depois de ser detido no regresso à Rússia — Navalny saiu do país para receber tratamento depois de uma alegada tentativa de envenenamento atribuída ao Kremlin — o opositor mais proeminente de Putin foi condenado a dois anos e meio de prisão na sequência de um processo de corrupção que ocorreu em 2014.

Os apoiantes de Navalny denunciaram o julgamento com motivações políticas e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou a sentença “arbitrária e manifestamente irracional”.

Em março, Alexei Navalny foi transferido para uma prisão a leste de Moscovo, conhecida pelas duras condições em que os prisioneiros estão.

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