Segundo o Jornal de Notícias, em setembro, 41% das deslocações às urgências correspondiam a doentes não urgentes e pouco urgentes – pulseiras azuis e verdes, respetivamente –, em comparação com 37% em 2019. No total, foram 183 mil episódios, cerca de 6100 por dia, que deveriam ter recorrido aos cuidados primários.

A publicação aponta que as dificuldades dos centros de saúde, que têm acumulado a atividade assistencial com a vacinação, continuam a ser um dos principais problemas.

A Urgência do Hospital de S. João, no Porto, por exemplo, bate recordes desde junho. "Há quatro meses consecutivos que superamos os números de 2019, que já era o ano com mais urgências", afirma o diretor do serviço, Nélson Pereira. Neste hospital, os doentes com pulseiras verdes e azuis (35%) representam o atendimento de mais 200 doentes num dia difícil e "compromete a resposta que não é elástica".

Nos próximos meses, refere o médico, "vai haver uma sobrecarga progressiva, que ninguém vai aceitar. Vamos ter tempos de espera prolongados e, eventualmente, incidentes críticos que depois é difícil digerir".

Já na urgência do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho, o número de doentes que chega em risco e com pulseira vermelha duplicou em setembro comparativamente com o mesmo mês de 2019.

O diretor da urgência, José Luís Almeida, não tem uma explicação, mas tem observado muitos acidentes de viação graves e "pessoas com doenças crónicas pesadas que, provavelmente, não tiveram o mesmo seguimento que tinham antes da covid" - das quais se destacam as patologias cardiorrespiratórias, nomeadamente a insuficiência cardíaca que obriga a um seguimento apertado e as doenças pulmonares.

Com esta pressão, a gripe e sem os cuidados primários a funcionar em pleno, se as pessoas abandonarem totalmente as máscaras que também protegem contra outras infeções além da covid-19, José Almeida teme "que o inverno seja bem pior do que os anteriores".

Já no Centro Hospitalar Lisboa Central, que inclui o Hospital de S. José, a afluência em setembro aproxima-se dos valores de 2019. Enquanto ns primeiros dias de outubro, a urgência geral teve um pico no dia 4 com 464 episódios e a de pediatria no dia 1 (262).

No Centro Hospitalar Lisboa Norte, que inclui o Hospital de Santa Maria, a urgência central teve, no mês de setembro, uma média de 450 casos diários, ao nível do período homólogo de 2019. E a tendência foi a mesma na urgência pediátrica.

Além dos "muitos casos não urgentes", o Hospital de Santa Maria registou em setembro um aumento dos doentes graves e muito graves (pulseiras amarelas e laranjas).

Apesar de muitos casos não urgentes nas urgências, há casos com mais gravidade em relação aos registados anteriormente e a procura voltou aos níveis pré-pandemia, com agravantes – há mais infeções respiratórias não covid-19, há muitos doentes crónicos a descompensar e os espaços físicos não têm capacidade para o elevado número de utentes mantendo o distanciamento social necessário.

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