“Num momento em que, por conta do surto epidemiológico que o país atravessa, é imperativa a adaptação do processo de ensino-aprendizagem, esta equipa tem como função garantir um acompanhamento de proximidade às escolas”, escreve o Ministério da Educação em comunicado.

A equipa composta por mais de uma centena de profissionais, integrados em áreas como literacia, tecnologia e currículo, vai contribuir para recolher e partilhar boas práticas que estejam a ser adotadas pelas escolas, mas também para reunir as principais dificuldades que os professores e diretores estejam a sentir.

Segundo o Ministério da Educação, a brigada “estamos on com as escolas” serve, sobretudo, para dar um “apoio especializado em algumas necessidades identificadas pelas escolas, possibilitar uma harmonização de tarefas e procedimento, e garantir que as redes de escolas já constituídas se mantêm ativas”.

A nova brigada de apoio é constituída por professores das equipas regionais da Autonomia e Flexibilidade Curricular, pelos embaixadores da iniciativa Laboratórios de Aprendizagem, da Direção-Geral da Educação (DGE), e pelos embaixadores da iniciativa europeia eTwinning, uma plataforma que promove a colaboração entre os profissionais da educação dos países europeus envolvidos.

Entre os profissionais que integram a equipa estão também os embaixadores do Programa de Educação Estética e Artística e os coordenadores interconcelhios da Rede de Bibliotecas Escolares.

Além da brigada de acompanhamento, a tutela anunciou também o lançamento de um instrumento de apoio aos diretores das escolas, para facilitar o contacto com os serviços centrais do ministério e permitir uma resposta mais rápida às dúvidas das escolas.

Estas iniciativas são anunciadas no dia em que os estabelecimentos de ensino iniciam a segunda semana de aulas à distância e servem de complemento ao ‘microsite’ lançado pela DGE no início da semana passada, em que são disponibilizados recursos e ferramentas de ensino e aprendizagem.

São cerca de dois milhões os alunos que estão em casa devido à suspensão das atividades presenciais em todos os estabelecimentos de ensino, como medida de contenção da propagação da Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

Muitos destes alunos estão a ter aulas virtuais, com os professores a recorrem às várias ferramentas disponíveis: desde o 'e-mail', a plataformas das escolas, ao portal Inovar, vídeos caseiros, Escola Virtual ou Google Classroom, Whatsapp ou Skype, segundo relatos de dezenas de encarregados de educação à Lusa.

No entanto, um em cada cinco estudantes não tem computador em casa, segundo um estudo realizado por Arlindo Ferreira, especialista em Estatísticas da Educação, que foi publicado na terça-feira no blog do Arlindo, e esta é uma situação que tem merecido a preocupação dos pais e encarregados de educação e dos diretores escolares.

Entretanto, o Governo anunciou na sexta-feira, um conjunto de propostas de soluções para tentar minimizar o problema, como a entrega de fichas e trabalhos de caso aos alunos sem acesso às aulas à distância através dos correios ou a mobilização de parceiros locais para apoio, designadamente através de disponibilização de 'wi-fi' ou equipamentos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 23 mortes e 2.060 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral de Saúde.

Dos infetados, 201 estão internados, 47 dos quais em unidades de cuidados intensivos.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira até às 23:59 de 02 de abril.

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