“Não tenho nenhuma informação ou preocupação em relação a isso, vi pela imprensa que houve uns contactos com outros ministérios. Do nosso lado obviamente há uma preocupação permanente em matéria de segurança em todos os aspetos incluindo a `cibersegurança´”, disse.

O ministro respondia aos jornalistas no final da cerimónia de entrega simbólica da chave da nova Academia de Comunicações e Informações da NATO [NCI Academy], em Oeiras, onde serão formados cerca de seis mil técnicos e oficiais por ano.

Questionado sobre se o Ministério da Defesa partilha dos receios assumidos pela NATO face aos futuros investimentos do grupo chinês de telecomunicações Huawei no desenvolvimento das redes 5G, o ministro João Gomes Cravinho respondeu: “A Defesa não tem nenhuma base para fazer isso”.

Os EUA estão entre um grupo de países que têm manifestado preocupações relativas à segurança dos serviços prestados pela chinesa Huawei, por alegadamente estar sob a influência de Pequim, tendo as suas redes de 5G sido banidas de alguns mercados por motivos de segurança nacional.

Sobre as advertências dos EUA em relação a esta questão, João Gomes Cravinho disse que todas as informações serão tidas em conta, mas “pelas entidades certas”.

“Obviamente vai-se ter em conta todas as informações que forem disponíveis sobre essa matéria e decisões serão tomadas no momento certo, pelas entidades certas, e não é a Defesa que faz concursos sobre 5G”, respondeu.

O ministro da Defesa frisou que o Ministério da Defesa está a fazer o “seu trabalho em matéria de `ciberdefesa´”, a “acelerar muito a formação das pessoas que trabalham naquele domínio”.

“Consideramos que é uma área de vulnerabilidade para todos os países da NATO incluindo para o nosso e pensamos que, ao longo dos próximos anos, em termos de equipamento e, sobretudo, em recursos humanos que teremos todas as condições para garantir a segurança aos portugueses”, disse.

O ministro destacou os investimentos em `ciberdefesa´, previstos na Lei de Programação Militar, referindo que haverá “uma multiplicação por dez, ao longo de doze anos”, no número de pessoas que trabalham em `ciberdefesa´ e com uma multiplicação por quatro já em 2019.

Em dezembro do ano passado, durante a visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado entre a Altice e a empresa chinesa um acordo para o desenvolvimento da próxima geração da rede móvel no mercado português.

Em fevereiro, o primeiro-ministro, António Costa, alertou, numa entrevista ao jornal Financial Times, para o risco de o escrutínio aos investimentos na União Europeia (UE) de países terceiros como a China ser usado para fins proteccionistas.

Embora concorde a necessidade de analisar investimentos em áreas como a defesa e segurança e garanta que Portugal partilha as preocupações de outros países ocidentais sobre os riscos do envolvimento da Huawei, o grupo chinês de telecomunicações, em futuras redes 5G, António Costa saleintou ser "muito importante não interromper a modernização da infraestrutura digital da Europa".

"A nossa experiência com investimentos chineses tem sido muito positiva", disse o primeiro-ministro português ao FT, acrescentando: "Os chineses demonstraram total respeito pela nossa estrutura legal e pelas regras do mercado."

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