“É interessante que o Grupo Águas de Portugal comece a procurar mercados mais maduros e mais exigentes, fora do país, onde se possa confrontar um grau diferente de exigências e onde, para lhe podermos dar resposta, o papel da inovação é um papel central”, afirmou João Pedro Matos Fernandes durante um seminário ‘online’ de apresentação do Quadro Estratégico de Compromisso do Grupo AdP.

Segundo o ministro, num contexto em que é também “obrigação” da empresa promover a eficiência da utilização da água e uma redução dos consumos, a AdP estará condenada a ver o seu volume de negócios recuar se não “alargar o espetro de atuação”.

“É estranho, quase contraditório, perceber que uma empresa que vive de vender água é aquela que tem uma maior responsabilidade na redução dos consumos, mas é nossa obrigação promover a eficiência dos usos para além daquela que é a nossa própria atividade. E com isso, no limite, estaremos a reduzir o nosso volume de negócios se não alargarmos o nosso próprio espectro de atuação”, sustentou.

Para Matos Fernandes, é assim “fundamental que o Grupo Águas Portugal, respeitando a vontade dos municípios, nunca deixe de querer alargar o seu espetro de atuação, participando em novas parcerias da baixa para além daquelas que já existem e alargando para fora das fronteiras do país o seu negócio e a sua atividade”.

Na sua intervenção na ‘webinar’, João Pedro Matos Fernandes destacou ainda a importância da eficiência na atividade da empresa, desde logo “pelas consequências que essa mesma eficiência tem sobre a tarifa”, que deve ser “justa” e pagar o serviço prestado, mas cujo aumento é preciso “tudo fazer para impedir”.

“Infelizmente em Portugal são mais nos casos em que o que se paga pela água é um valor inferior ao seu verdadeiro custo, do que os casos opostos que, quando existem, são em concessões privadas”, disse, criticando o facto de “durante o período de pandemia, quando nada ficou mais barato, alguns terem entendido - nomeadamente os municípios – reduzir o preço da água que é cobrado aos consumidores”.

Segundo o ministro, por detrás desta decisão está “um valor completamente errado, que é a ideia de que o que é público pode baixar o preço e depois logo se vê como é que essa fatura vai ser paga”.

O ministro abordou ainda o tema da eficiência energética, considerando que “a questão da poupança da energia propriamente dita e da auto produção de eletricidade e de gases renováveis é um campo de negócio excecional” que o Grupo Águas de Portugal tem vindo a desenvolver.

“Podia ter-se recorrido ao ‘outsourcing’ generalizado nesta matéria e felicito aqueles que acharam que não e consideraram que esta atividade, pela dimensão do custo que tem a própria energia que é consumida pelo grupo, tinha que ser uma atividade ‘core’ do próprio grupo”, sustentou.

Para o governante, “é da maior relevância que um grande consumidor de energia como as Águas de Portugal seja autossuficiente”, pelo que o projeto traçado de o conseguir ser até 2030 o “enche de orgulho como ministro que tutela, duplamente, as áreas de energia e da água”.

Neste âmbito, referiu ainda como sendo “da maior importância o projeto de reutilização das águas residuais tratadas”, salientando que “esgoto tratado é água para um número muito alargado de utilizações” (desde a regra das culturas permanentes e espaços verdes à lavagem de ruas, entre várias outras utilizações) e que, “num país que vai ter menos água, esta é a única água nova que se pode trazer ao sistema”.

O Quadro Estratégico de Compromisso hoje apresentado pelo Grupo Águas de Portugal assume-se como “um alinhamento e mobilização do grupo no sentido de acrescentar utilidade social, corresponder às exigências ambientais, obter ganhos de eficiência e superar os padrões de qualidade no âmbito dos serviços de abastecimento de água e de tratamento de águas residuais, que são essenciais ao bem-estar, à saúde pública, ao ambiente, à economia e ao desenvolvimento sustentável.”

Segundo a empresa, o documento resultou de “um processo coletivo e participativo, com contributos de cerca de meio milhar de trabalhadores/as a todos os níveis da estrutura e de todas as suas empresas” e traça “um rumo estratégico no reforço da capacidade de resposta à dinâmica associada às alterações climáticas, à descarbonização, à transformação digital e à economia circular, entre outras”.

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