O porta-voz da OIM, Paul Dillon, revelou hoje que a Matriz de Rastreamento de Deslocamento da OIM registou, esta manhã, 3.361 pessoas deslocadas internamente, o equivalente a “672 famílias”, desde que os ataques armados em Palma começaram, na quarta-feira.

“Chegam a pé, de autocarro, de avião e de barco, desde Palma para Ullongwe, Mueda, bairros de Montepuez e também da cidade de Pemba”, acrescentou Paul Dillon, numa conferência nas instalações da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, Suíça.

O porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke, considerou que a situação em Palma é “um horror absoluto”, que causará a deslocação de outras “milhares de pessoas” pelo país inteiro, “em direção à fronteira com a Tanzânia”.

“O que aconteceu em Palma é um horror absoluto sendo infligido contra civis por um grupo armado não estatal. Isso é o que posso dizer. Fizeram coisas horríveis e continuam a fazê-las”, considerou Jens Laerke.

O representante do OCHA declarou que hoje ainda se registaram “confrontos esporádicos contínuos” e espera-se que “milhares de outras pessoas saiam do distrito, de Palma para outras áreas do país e em direção à fronteira com a Tanzânia”.

As Nações Unidas têm diversas equipas médicas e de ajuda humanitária no país, para apoiar os feridos e os mais necessitados.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) já distribuiu “250 toneladas métricas de ajuda alimentar para atender às necessidades de quase 16.000 pessoas por um mês em Palma”, segundo o porta-voz, Tomson Phiri.

O responsável acrescentou que na segunda-feira, o Serviço Aéreo Humanitário da ONU (UNHAS) apoiou “excecionalmente” a retirada de 82 civis de Palma, em quatro rondas.

Segundo um relatório do OCHA lançado hoje sobre Moçambique, “dezenas de civis terão sido mortos”, mas a informação sobre a situação é “extremamente difícil de verificar, devido a interrupções nas comunicações na cidade de Palma”.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) dá conta que as famílias tentaram refugiar-se na mata, enquanto mais de 100 pessoas deslocadas viajaram de barco da vila atingida, Palma, para Pemba, a sul.

O porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic disse, na conferência da ONU em Genebra, que “as pessoas foram mortas ou mutiladas, as casas foram saqueadas e queimadas e os campos foram destruídos”.

Pessoas foram expulsas de suas casas e fugiram “com muito poucos bens”, continuou o porta-voz do ACNUR, enquanto mulheres e meninas foram “sequestradas, forçadas a casar, em alguns casos violadas e submetidas a outras formas de violência sexual”, relatou Andrej Mahecic.

“Também há relatos de recrutamento de crianças à força para os grupos armados insurgentes”, acrescentou.

Desde o início do conflito em Cabo Delgado, em outubro de 2017, mais de 670.000 pessoas foram forçadas a fugir da violência, de acordo com a OIM e mais de metade são crianças, embora os números de deslocados superem já os 700.000.

Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, a população moçambicana precisa da ajuda urgente de cerca de 254 milhões de dólares (cerca de 217 milhões de euros) “para enfrentar a tripla crise resultante da violência, das crises climáticas e da pandemia de covid-19″.

A ONU indicou que apenas 1% do valor necessitado foi angariado até agora.

O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na segunda-feira o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia.

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