Falando no quinto dia da 74.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o ministro dedicou parte da sua intervenção às alterações climáticas e às medidas que estão a ser tomadas, depois de em março e abril passados Moçambique ter sido afetado por dois ciclones, no centro e norte do país, que provocaram 689 mortos.

José António Pacheco disse, citando cientistas, que Moçambique é o segundo país do mundo mais vulnerável às alterações climáticas, agradeceu a ajuda internacional na sequência dos ciclones, e lembrou uma conferência internacional de doadores, em maio, da qual resultaram promessas de apoio de 1,2 mil milhões de dólares, dos 3,2 mil milhões necessários.

“Reiteramos a prontidão para imprimir maior celeridade no processo de desembolso da ajuda prometida”, disse o ministro, que lembrou igualmente o acordo de paz e reconciliação nacional assinado a 6 de agosto entre a Frelimo, no poder, com a Renamo, oposição, decorrendo atualmente, disse, o processo de desarmamento, desmobilização e reintegração das tropas da Renamo.

Um trabalho que “requer capacidade técnica e financeira robusta”, pelo que reiterou o “apelo para o apoio e assistência contínua na implementação do acordo”.

No longo discurso que fez na ONU, o ministro falou do aumento das tensões políticas, geoestratégicas e comerciais no mundo, falou do aumento das desigualdades e da situação de fragilidade da África subsaariana, falou do “défice crescente de confiança entre as nações”, e falou dos fundamentalismos e extremismos violentos e comércio de armas, que são também motivos de preocupação.

E disse que Moçambique apoia todas as iniciativas e parcerias na procura da paz e apoia a reforma do sistema das Nações Unidas, nomeadamente do Conselho de Segurança.

À semelhança do que outros países já tinham feito, apelou para uma solução pacífica para os conflitos no Saara Ocidental e nos territórios palestinianos ocupados por Israel.

Apelou ainda para a normalização das relações políticas, diplomáticas, económicas e financeiras entre Cuba e os Estados Unidos, porque “o bloqueio económico a Cuba não tem justificação”, e defendeu o levantamento das sanções contra o Zimbabué.

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