Revoltadas com as adoções ilegais da IURD denunciadas pela TVI e inspiradas pela campanha ‘#Não adoto este silêncio”, oito mulheres decidiram unir-se e criar o “Movimento Verdade”.

“Quisemos fazer alguma coisa. Começámos a ver que as instituições não estavam a dar respostas objetivas e eficazes a estas famílias e achámos que tínhamos que criar um movimento para ajudar estas pessoas”, disse hoje à agência Lusa Ana Piedade, uma das fundadoras do movimento.

Ana Piedade explicou que o objetivo do movimento é que seja criada uma comissão independente que faça “uma investigação isenta a estes casos”, considerando que “não faz sentido a Santa Casa da Misericórdia investigar-se a si própria e o Ministério Público investigar-se a si próprio”.

“Pretendemos que haja uma investigação eficaz e que as instituições tenham uma postura muito mais clara perante estes casos de adoções” que levaram ao desaparecimento do lar ilegal da IURD de “dezenas de crianças que foram roubadas às mães biológicas com relatórios da Santa Casa com informação falsa e difamatória”.

Para que seja criada a comissão independente e a Assembleia da República debata esta situação, o "Movimento Verdade" lançou uma petição ‘online’, que conta já com cerca de 2.000 assinaturas.

Em solidariedade com as famílias que ficaram sem os filhos e para “exigir respostas” das instituições, o “Movimento Verdade” promove às 15:00 de sábado concentrações em Faro, Beja, Coimbra, Leiria e Porto, junto às respetivas câmaras municipais, e em Lisboa, em frente da Assembleia da República.

“Estamos à espera que os portugueses se mobilizem por esta causa” e que “haja uma grande adesão. Estamos a fazer por isso porque achamos que é uma causa muito nobre”, disse Ana Piedade.

“Não há causa mais nobre do que apoiar uma mãe a quem roubaram um filho”, sustentou, rematando: “A família é o pilar basilar das nossas vidas”.

A TVI exibiu uma série de reportagens denominadas "O Segredo dos Deuses", na qual noticiou que a IURD esteve alegadamente relacionada com o rapto e tráfico de crianças nascidas em Portugal.

Os supostos crimes terão acontecido na década de 1990, com crianças levadas de um lar em Lisboa, que teria alimentado um esquema de adoções ilegais em benefício de famílias ligadas à IURD que moravam no Brasil e nos Estados Unidos.

A IURD já refutou as acusações de rapto e de um esquema de adoção ilegal de crianças portuguesas e considera-as fruto de "uma campanha difamatória e mentirosa".

Segundo informações avançadas pela TVI, a IURD tem atualmente nove milhões de fiéis, espalhados por 182 países, 320 bispos e cerca de 14 mil pastores.

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