No dia 21 de novembro de 2017, Mugabe resignou, depois de uma semana de ações militares. A 14 de novembro, vários carros de combate invadiram as ruas da capital do Zimbabué, Harare, com os militares a cercar a casa de Mugabe depois de o Presidente demitir o vice-Presidente Emmerson Mnangagwa.

Milhares de zimbabueanos saíram à rua para celebrar o fim da era Mugabe, marcada por várias formas de repressão, corrupção, e que levara à ruína uma economia outrora próspera.

Com a demissão, aumentou a expectativa de um crescimento económico do Zimbabué, mas um ano depois, o país viu os seus problemas financeiros agravados e algumas liberdades básicas ainda estão por garantir.

A euforia do fim do regime de Mugabe evaporou, e as promessas de um “novo começo” do seu sucessor, Emmerson Mnangagwa, não se avistam no horizonte.

A morte de seis civis às mãos do exército durante protestos, o crescente surto de cólera e a implosão económica prejudicaram desde logo o início do mandato de Mnangagwa, eleito em julho.

O país continua com uma forte crise económica, tendo a inflação alcançado, em setembro, o valor mais alto desde 2010.

Mnangagwa prometera que iria fortalecer a economia do país até 2030, com um crescimento sustentado na reforma democrática e no estabelecimento de acordos com países que aplicaram sanções ao Zimbabué durante o período de Mugabe, como os Estados Unidos da América.

A escassez de dinheiro e de medicamentos são uma realidade com que os zimbabueanos têm de lidar diariamente.

Nos bancos, há filas para levantar notas desvalorizadas, e o dólar, que é cada vez mais raro, dificulta a importação de bens.

A nível político, o partido de Mugabe, o Zanu-PF continua a ser a principal força, controlando o parlamento.

Mnangagwa, também do Zanu-PF, prometeu um Zimbabué livre e aberto, mas os opositores políticos, protestantes e ativistas denunciam a existência de repressão.

Em 01 de agosto, as forças de segurança abriram fogo durante protestos pelo atraso do anúncio dos resultados das eleições presidenciais, matando seis pessoas.

No que toca à ajuda externa, o Zimbabué continua de mãos atadas. Com uma dívida de 16.900 milhões de dólares (14.760 milhões de euros), o país tem até outubro de 2019 para pagar 2.000 milhões de dólares (1.747 milhões de euros) em atraso ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e ao Banco Mundial, não podendo pedir mais empréstimos até saldar as dívidas com estas duas organizações.

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