No dia 19 de setembro, segunda-feira, uma juíza de Baltimore ordenou a libertação de Adnan Syed, agora com 41 anos. Quando entrou na prisão era apenas um jovem, preso e julgado pela morte de Hae Min Lee, uma namorada do secundário, cujo corpo foi encontrado num parque de Baltimore. Agora que saiu, foi recebido com euforia, aplausos e até lágrimas.

Condenado a prisão perpétua, Syed sempre se disse inocente. O seu caso podia ser apenas mais um se não fosse a série criminal em podcast Serial, lançada em 2014, e que praticamente revolucionou o género. Aqui, Sarah Koenig e a sua equipa "desenterram" esta história de 1999. Leem centenas de documentos, ouvem os testemunhos em tribunal e os interrogatórios policiais e falam com todos aqueles que têm memória do casal. Pelo caminho, descobrem provas forenses pouco confiáveis, testemunhos voláteis, preconceito — e mostram o quão difícil é ver um caso como este reavaliado pela justiça norte-americana.

Oito anos depois, a entrada em vigor de uma nova lei conduz a condenação de Adnan Syed ao gabinete da procuradora Becky Feldman. A investigação subsequente revela novas provas e várias falhas na investigação inicial. É a própria procuradoria a dizer ao tribunal que a condenação deve ser anulada, por "não ter confiança na integridade" da mesma. Melissa Phinn, a juíza a quem coube a decisão final, concorda e ordena a libertação — condicional, por enquanto — do homem de 41 anos.

O que mudou?

Os procuradores não estão a dizer que Adnan Syed é inocente, antes a assumir, duas décadas depois, que a investigação que levou à sua condenação teve múltiplas falhas e que, "no interesse da imparcialidade e da justiça, ele tem direito a um novo julgamento”.

O seu caso chegou ao gabinete de Becky Feldman, diretora da Unidade de Revisão de Sentenças da Procuradoria do Estado de Baltimore, graças a uma lei que entrou em vigor em 2021 e que prevê que alguém que cumpra pelo menos 20 anos por um crime cometido antes dos 18 anos possa pedir uma revisão de pena. Recorde-se que Syed tinha apenas 17 anos quando foi condenado.

Juntamente com a advogada de Syed, Erica Suter, a procuradora Becky Feldman desmonta este caso e descobre que as provas forenses e testemunhos que levaram à condenação de Syed não podem ser considerados fiáveis, assim como o facto de a investigação apontar para dois outros suspeitos que não foram devidamente ilibados, o que nunca foi dado a conhecer à acusação, como era obrigatório.

O homem de 41 anos está agora em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, cabendo aos procuradores decidir, no espaço de 30 dias, se querem avançar para novo julgamento ou deixar cair as acusações. Aguardam-se análises de DNA que podem ser determinantes para a decisão.

Adnan Syed já tinha tentado que o seu caso fosse revisitado, mas o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu em sentido contrário, em 2019. Esta segunda-feira, ficou em silêncio quando ouviu a juíza determinar que podia voltar a casa. Sorridente, não disse palavra ao sair do tribunal. Mas a sua advogada deu voz ao que estava a sentir: "Ele disse que não consegue acreditar que isto está mesmo a acontecer".

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