Segundo a agência de notícias AFP, a Índia já registou mais de 300.000 casos confirmados do novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, contabilizando perto de 9.000 óbitos.

Nova Deli, a capital do país com 20 milhões de habitantes, já tem hoje cerca de 1.200 mortos nesta epidemia e mais de mil novos casos de covid-19 são registados diariamente.

Ashwani Jain, um morador de Nova Deli de 45 anos, morreu de covid-19 numa ambulância. Com um número crescente de pacientes, o homem não foi internado devido à falta de leitos.

"Não importa para eles (autoridades) se vivemos ou morremos (...). O Governo não faz nada. Apenas brincam com os nossos sentimentos", disse Kashish, a filha de Jain, à AFP.

No momento da morte do seu pai, um empresário, a jovem estava juntamente com o tio na ambulância que procurava um lugar num dos hospitais da capital indiana.

Todos os hospitais contactados pela família recusaram-se a receber esse paciente.

No entanto, foi criada uma aplicação pelo Governo de Deli para descobrir o número de leitos disponíveis para pacientes com covid-19.

O aumento acentuado nos casos de contaminação atesta a precariedade do sistema de saúde indiano e essa escassez de leitos está a causar uma crescente preocupação entre a população.

O ritmo das mortes é tal que, nas morgues, os corpos se acumulam, sem o pessoal dos cemitérios e crematórios conseguir acompanhar.

Os meios de comunicação indianos relatam que muitas pessoas morreram após serem recusadas para tratamento hospitalar.

O Governo de Nova Deli estima precisar de, pelo menos, 80.000 camas até o final de julho. Entretanto, alertou que, se necessário, hotéis e salões de festas seriam transformados em hospitais.

Atualmente, os hospitais públicos possuem 8.505 camas para pessoas que foram infetadas pelo vírus e 1.441 em estabelecimentos privados.

As famílias de pacientes afirmam ter pagado uma pequena fortuna pelos poucos lugares disponíveis na rede privada.

O líder do executivo da capital, Arvind Kejriwal, acusou os estabelecimentos privados de mentirem sobre o número de leitos disponíveis e prometeu punir os responsáveis pela extorsão.

Especialistas continuam a questionar a capacidade da cidade de lidar com a pandemia de covid-19.

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