As crianças em idade pré-escolar estão em casa desde 16 de março, quando o Governo suspendeu todas as atividades letivas presenciais, para conter a propagação do novo coronavírus, e os estabelecimentos de ensino, desde creches a universidades, encerraram.

Numa altura em que Portugal se prepara para entrar numa nova fase de desconfinamento, os jardins-de-infância vão juntar-se à lista de estabelecimentos de ensino abertos, uma lista que inclui já algumas instituições de ensino superior e, desde 18 de maio, creches e escolas secundárias.

Enquanto as instituições preparam o regresso, com uma nova dinâmica e organização que permitam respeitar todas as novas regras, os pais dividem-se entre aqueles que anseiam a reabertura e aqueles que se mantêm receosos.

“Nós continuamos a viver num momento de incertezas, não há nada garantido, mas, à partida, parece-nos que tudo aponta que [o regresso] seja positivo. Vamos continuar expectantes, mas com reservas”, disse à Lusa o presidente Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), Rui Martins.

O representante dos pais acredita que as famílias que puderem continuar a trabalhar a partir de casa vão optar por manter os filhos também em casa, apesar de admitir que seria importante que pudessem regressar “o mais depressa possível, desde que as normas de segurança sejam garantidas”.

“Quem não pode, não tem outra alternativa, mas é natural que se venha a manter o mesmo tipo de presença das crianças”, considerou Rui Martins, referindo-se aos baixos níveis de adesão das famílias à reabertura das creches, há duas semanas.

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, tem a mesma perceção, mas acredita que o exemplo que tem vindo a ser dado pelas creches emite também um sinal de confiança para as famílias.

Nesta próxima fase, Jorge Ascenção acredita que serão mais as crianças a regressar à escola, em comparação com aquilo que foi observado há duas semanas, na reabertura das creches. “E mesmo ao nível das creches, é natural que haja mais crianças a voltar”, acrescentou.

“Não é exatamente a mesma coisa que era antes, mas com os devidos cuidados e com as devidas cautelas deverá haver poucos espaços tão bem controlados para que as coisas corram com a segurança que se espera”, sublinhou.

O presidente da Confap reconhece, ainda assim, que muitas famílias se sintam receosas e prefiram “esperar para ver como corre”, e compreende, mas considera que também é importante “aprender a viver um uma situação que, não sendo a ideal, não se sabe até quando vai durar”.

Jorge Ascenção vai mais longe e considera mesmo que, atualmente, as instituições são mais seguras do que espaços públicos, como praias ou jardins, por onde as famílias têm passado nos últimos dias.

“Tenho mais receio dos comportamentos e das atitudes em ambientes que não estão tão controlados, como é a sociabilização nas comunidades, do que nestes meios em que tudo está a ser feito”, disse.

Instituições preveem reabertura do Pré-Escolar com maior afluência do que registado nas creches

As instituições do ensino pré-escolar ainda não sabem ao certo quantas crianças vão receber na segunda-feira, mas preveem uma maior adesão do que a registadas pelas creches há duas semanas, apesar de receios dos pais.

“Há situações mistas. Esperamos mais crianças, naturalmente, mas mesmo assim, a nível do pré-escolar, ainda existem muitos pais com receios”, disse à Lusa a presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP).

As crianças em idade pré-escolar estão em casa desde 16 de março, quando o Governo suspendeu todas as atividades letivas presenciais, para conter a propagação do novo coronavírus, e os estabelecimentos de ensino, desde creches a universidades, encerraram.

Numa altura em que Portugal se prepara para entrar numa nova fase de desconfinamento, os jardins-de-infância vão juntar-se à lista de estabelecimentos de ensino abertos, uma lista que inclui já algumas instituições de ensino superior e, desde 18 de maio, creches e escolas secundárias.

Da parte das famílias, os pais dividem-se entre aqueles que anseiam pela reabertura e aqueles que se mantêm receosos, mas as instituições dizem estar preparadas e admitem que a reabertura antecipada das creches, em 18 de maio, permitiu retirar algumas lições.

“As instituições já tiveram um treino com a abertura das creches, que acabou por ser um fator importante e também lhes deu alguma tranquilidade”, afirma Filomena Bordalo, membro da direção da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).

No regresso do pré-escolar, as orientações dos ministérios da Educação e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social preveem normas de segurança semelhantes àquelas que foram aplicadas às creches e, por isso, os jardins-de-infância não foram apanhados de surpresa.

Ainda assim, Susana Batista sublinha que as creches funcionaram, durante as últimas semanas, com poucas crianças e, por isso, ainda não foi possível perceber os efeitos da nova organização em contextos com maior afluência.

“Nós temos consciência disso e estamo-nos a preparar para uma organização diferente”, afirma, sublinhando que “esta é uma situação nova para todos”.

Também nas creches se espera, a partir de segunda-feira, um aumento no número de crianças, uma vez que termina o período de transição em que as instituições estiveram abertas, mas as famílias puderam optar por ficar com os filhos em casa, mantendo o apoio financeiro do Estado.

Segundo a presidente da ACPEEP, os ajustes na organização dos espaços estão, por isso, a ser aí igualmente preparados, para responder a uma maior procura. “A nossa expectativa é que todas as salas reabram”, acrescenta, recordando que, na reabertura, a maioria das creches recebeu, em média, entre quatro a seis crianças.

Filomena Bordalo acredita que a maior procura que é expectável decorre de um aumento da confiança por parte das famílias, mas Susana Batista considera que resulta sobretudo da necessidade.

“Há muitos pais que estão desejosos que os jardins-de-infância abram, porque não têm como continuar a suportar a situação”, afirma, acrescentando que muitas das famílias que puderem manter o regime de teletrabalho continuarão com os filhos em casa.

O facto de as creches estarem a funcionar há já duas semanas contribui pouco para uma maior confiança das famílias, considera a presidente da ACPEEP.

“Os pais também têm noção de que são poucas as crianças que, neste momento, estão nas creches e, por isso, o termo de comparação é diferente. A tranquilidade que possa passar daí é muito relativa”, justifica.

No debate público sobre a antecipação da reabertura do pré-escolar, um dos principais temas de discussão foi a decisão das autoridades de saúde em não exigir a obrigatoriedade de testar todos os funcionários, como aconteceu com os educadores das creches.

Na altura, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, justificou a decisão com as idades das crianças que integram cada nível, explicando que, nas creches estão “meninos muito pequeninos, que não podem cumprir pela sua idade regras nenhumas de praticar o distanciamento”.

E as instituições concordam. Enquanto a presidente da ACPEEP considera que não havia essa necessidade, apesar de poder transmitir uma maior tranquilidade às famílias, Filomena Bordalo acrescenta que “a posição da CNIS sempre foi a de confiar nas autoridades de saúde”.

Além das instituições do pré-escolar, na segunda-feira voltam também a funcionar as respetivas atividades de apoio à família e de ocupação de tempos livres que, para os outros níveis de ensino, só serão retomadas após o final do ano letivo, em 26 de junho.

A reabertura das Atividades de Tempos Livres (ATL) não integradas em estabelecimentos escolares estava prevista para o arranque da próxima semana, mas foi adiada para 15 de junho por decisão do Governo, que justificou a nova data com a necessidade de preparar a organização dos espaços onde se desenvolvem estas atividades.

Portugal contabiliza pelo menos 1.383 mortos associados à covid-19 em 31.946 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado hoje.

O país entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou hoje novas medidas para entrarem em vigor na segunda-feira, 01 junho, com destaque para a abertura dos centros comerciais (à exceção da Área Metropolitana de Lisboa, que continuarão encerrados até, pelo menos, 04 de junho), dos ginásios, dos ATL ou das salas de espetáculos. Estas medidas juntam-se às que entraram em vigor no dia 18 de maio, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

O regresso das cerimónias religiosas comunitárias está previsto para este sábado, 30 de maio, e a abertura da época balnear para 06 de junho.

Na segunda-feira, voltam a funcionar as instituições do pré-escolar e as respetivas atividades de apoio à família e de ocupação de tempos livres. Está também prevista uma maior afluência às creches, uma vez que termina o período de transição em que as instituições estiveram abertas, mas as famílias puderam optar por ficar com as crianças, mantendo o apoio financeiro do Estado.

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