Jonas Gahr Støre disse ao parlamento que o dinheiro será usado para “fortalecer a capacidade de prevenir, deter e lidar com ataques” à Noruega, país que faz parte da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, também conhecida como Aliança Atlântica).

“São medidas necessárias porque estamos a lidar com um regime russo que se tornou mais imprevisível e mais agressivo”, explicou o primeiro-ministro, acrescentando que o Presidente russo, Vladimir Putin, “fez soar o alerta ao falar das suas armas nucleares”.

Declarações que Gahr Støre considerou que contribuem para “aumentar as incertezas numa situação já de si tensa”, lembrando ainda que Putin classificou a Noruega como “os olhos da NATO no norte”.

O primeiro-ministro referiu ainda ao parlamento que o país está a preparar-se “para lidar com uma situação extraordinária de receção de até 100.000 refugiados” ucranianos, adiantando que ninguém sabe “quanto tempo a guerra vai durar nem quantos [refugiados] irão para a Noruega”.

De qualquer forma, sublinhou, esta situação “vai colocar o país perante um teste histórico”.

Também o ministro da Defesa norueguês explicou a alocação financeira extraordinária com a necessidade de fortalecer a presença militar no extremo norte, perto da fronteira com a Rússia.

Em conferência de imprensa, hoje realizada, Odd Roger Enoksen admitiu que “mesmo que um ataque russo à Noruega não seja provável”, é necessário “ter em conta que [a Noruega tem] um vizinho a leste que se tornou perigoso e imprevisível”.

O orçamento extraordinário será usado para aumentar a presença da Marinha norueguesa no norte, intensificar o treino do exército ativo e na reserva, aumentar as reservas de munições, combustível e outros equipamentos críticos, melhorar as instalações de acolhimento de tropas aliadas e fortalecer a defesa cibernética e serviços de informação, explicou.

Guardião das fronteiras do norte da NATO na Europa, o país nórdico partilha 196 quilómetros de fronteira terrestre com a Rússia, no Ártico, bem como uma enorme fronteira marítima no mar de Barents.

“A Rússia tem interesses de segurança significativos na nossa vizinhança e o extremo norte tem uma forte importância económica para a Rússia”, referiu o ministro da Defesa.

A Noruega é, atualmente, palco de importantes manobras navais, aéreas e terrestres, com a participação de cerca de 30.000 soldados de 27 países, membros da NATO ou parceiros da Aliança (Suécia e Finlândia).

O exercício militar ‘Cold Response 2022’ visa especificamente testar a capacidade da Noruega de receber reforços aliados em caso de agressão externa, de acordo com o artigo 5º. Do tratado da Aliança Atlântica, que obriga todos os seus membros a ajudar um dos seus em caso de ataque.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia.

Embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a ONU confirmou, até à data, pelo menos 780 mortos e 1.252 feridos entre a população civil, incluindo várias dezenas de crianças, na sequência da ofensiva militar russa.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, e muitos países e organizações impuseram à Rússia sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

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