Fontes parlamentares ouvidas hoje pela agência Lusa indicaram que, além de Elisa Ferreira, a comissão de Assuntos Jurídicos do PE enviou questões para outros oito comissários europeus designados para o executivo de Ursula von der Leyen, que não tiveram assim, nesta primeira fase, aval da assembleia europeia.

No caso de Elisa Ferreira, as questões prenderam-se com o facto de Elisa Ferreira deter ações no grupo Sonae, o que significa que a antiga vice-governadora do Banco de Portugal terá de as vender.

Elisa Ferreira, que no próximo executivo comunitário fica com a pasta da Coesão e Reformas, é casada com Fernando Freire de Sousa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), entidade responsável pela aplicação de fundos comunitários.

Esta situação foi abordada pela comissão de Assuntos Jurídicos do PE, mas os eurodeputados optaram por não levantar questões sobre tal, considerando não haver conflito de interesses.

A comissão de Assuntos Jurídicos esteve reunida esta manhã à porta fechada à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, por mais de duas horas.

O encontro serviu para avaliar “conflitos de interesses potenciais ou reais dos comissários indigitados” pela presidente eleita do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, como constava da ordem de trabalhos.

Os eurodeputados analisaram, assim, as declarações de interesses financeiros apresentadas pelos comissários, avaliando se estes documentos estavam ou não completos e se, do seu conteúdo, era possível inferir conflitos de interesses.

Após esta análise, os membros da comissão de Assuntos Jurídicos decidiram enviar pedidos de esclarecimentos a alguns dos comissários, entre os quais Elisa Ferreira, por considerarem, então, que as declarações de interesses apresentadas continham informações incompletas ou contraditórias, explicaram as mesmas fontes à Lusa.

Os nove comissários alvo de pedidos de informação adicionais – cujos nomes não foram revelados pelas fontes parlamentares – têm agora de responder à comissão de Assuntos Jurídicos até dia 25 de setembro, próxima quarta-feira.

Já até dia 27 de setembro, os eurodeputados da comissão de Assuntos Jurídicos analisam tal resposta e tomam uma decisão, que é remetida à comissão encarregue de ouvir cada comissário que, no caso de Elisa Ferreira, é a de Desenvolvimento Regional.

A audição à comissária portuguesa indigitada está marcada para as 18:30 de dia 02 de outubro, em Bruxelas, e contará também com a presença dos eurodeputados das comissões parlamentares de Orçamentos e de Assuntos Económicos e Monetários.

Elisa Ferreira, 63 anos, será a primeira mulher portuguesa a integrar o executivo comunitário.

Para a futura Comissão Europeia foram designados, ao todo, 26 comissários, já que o Reino Unido, que tem previsto deixar o bloco europeu a 31 de outubro, na véspera da entrada em funções do novo executivo, não designou candidato.

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