"Quase um milhão de crianças estão a precisar de tratamento para a desnutrição aguda grave na África Oriental e Austral. Dois anos de chuvas irregulares e a seca combinaram-se com um dos mais poderosos fenómenos El Niño, em 50 anos, causando estragos na vida das crianças mais vulneráveis", alertou Leila Gharagozloo - Pakkala, diretora regional, na África Austral, da Unicef ​​, citada pelo The Guardian.

Gharagozloo - Pakkala acrescentou ainda que "os governos estão a responder com os recursos disponíveis, mas esta é uma situação sem precedentes. A situação é agravada pelo aumento dos preços dos alimentos, obrigando as famílias a implementar mecanismos drásticos, como saltar refeições e vender os seus bens".

Os números são preocupantes. Segundo dados do Programa Alimentar Mundial da ONU, cerca de 40 milhões de pessoas que habitam em áreas rurais e nove milhões que habitam em centros urbanos de países como o Zimbabwe, Moçambique, África do Sul, Zâmbia, Malawi e Suazilândia vão precisar de assistência alimentar no próximo ano.

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O gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) advertiu também que cerca de 10 milhões de pessoas estão a precisar de alimentos na Etiópia, enquanto 2,8 milhões, na Guatemala e nas Honduras, precisam de assistência.

Na Ásia e em regiões do Pacífico, milhões de pessoas já começaram a ser afetadas por ondas de calor, escassez de água e incêndios florestais, desde que o fenómeno El Niño se começou a manifestar, em meados de 2015, alerta o Ocha, que prevê que as colheitas continuem a ser afetadas ao longo de 2016.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as chuvas esperadas para as regiões do Peru, Equador, Paraguai e sul do Brasil podem contribuir para o aumento de casos de Zika.

Os fenómenos El Niño são alterações na distribuição da temperatura da superfície da água do oceano Pacífico, com efeitos profundos na meteorologia, levando a secas, inundações e a uma ocorrência mais intensa de ciclones. Segundo os meteorologistas, o presente fenómeno é o pior dos últimos 35 anos e as suas consequências estão a aumentar.

Apesar de ser expectável que os seus efeitos diminuam nos próximos seis meses, o fenómeno El Niño já afetou a agricultura e os meios de subsistência de vários países. Os meteorologistas alertam que os efeitos deste fenómeno podem prolongar-se por dois anos.

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