Na cozinha do agrupamento das Escolas General Serpa Pinto, em Cinfães, são cozinhados e servidos diariamente cerca de 600 almoços e o diretor da escola, Manuel Pereira, não tem dúvidas em afirmar que aquela “cantina é o melhor restaurante da região”.

O sucesso resulta da dedicação de uma equipa de mulheres: A Dona Rosa, que é a ‘chef’ da cantina, três professoras de ciências e uma nutricionista da autarquia.

“Este não é um trabalho fácil”, admite Joana Costa, uma das docentes envolvidas na missão de imaginar receitas para alunos do 5.º ao 9.º ano.

A professora de Ciências já deu aulas em 21 escolas e a experiência ensinou-a que a comida feita nas cantinas “tem mais qualidade” do que a que vem de fora.

Os alunos que chegam à escola EB 2/3 General Serpa Pinto partilham dessa ideia. “Os miúdos dizem-nos que a comida agora é muito melhor do que a da primária, que era feita por uma empresa”, conta o diretor do agrupamento e também presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

Manuel Pereira assegura que raramente há queixas nas escolas com cantina própria. No entanto, a grande maioria dos estabelecimentos de ensino recebe refeições de fora.

No ano letivo 2017/2018, por exemplo, 776 refeitórios foram fornecidos por empresas, tendo-se registado 854 reclamações, segundo o relatório da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

“Há muitas escolas com cantinas convencionadas e os alunos comem mal, porque as verbas pagas às empresas são muito baixas. Seria uma boa solução manter as cantinas na gestão das escolas”, defende o presidente da ANDE.

Uma opinião partilhada por Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. No seu agrupamento em Vila Nova de Gaia, as refeições também não estão concessionadas.

Nas escolas Dr. Costa Matos, os menus são enviados para o centro de saúde e analisados por uma equipa formada por um médico, um nutricionista e um enfermeiro.

Em Cinfães, o modelo é semelhante: As professoras idealizam as ementas, que são certificadas pela nutricionista da autarquia. Mas nem todas saem do papel para o prato.

Primeiro têm de passar no crivo da Dona Rosa, a mulher que há uma década está à frente da cantina. Por vezes, a experiência dos tachos sobrepõe-se aos conhecimentos teóricos das professoras e nutricionistas.

“Há refeições que não resultam quando têm de ser cozinhadas para 600 alunos. Isto é como em casa: o que funciona bem para três ou quatro pode não funcionar quando temos 10 convidados”, exemplifica Joana Costa.

Também nem sempre é fácil agradar a todos. Tal como em casa, é preciso ter em conta o fator custo. “Aqui, nunca ninguém nos limitou nas escolhas, mas, claro, não comemos camarão todos os dias”, diz, sorridente.

O diretor do agrupamento orgulha-se de ter “o melhor restaurante da região” a preços imbatíveis: “Em média temos 1,60 euros para gastar diariamente para cada aluno, mas na maior parte das vezes até ficamos 20 cêntimos abaixo do plafond”.

A equipa garante que escolhe os produtos mais frescos e procura fazer uma dieta variada. Só lamenta não conseguir recorrer mais a produtores locais.

Mas, apesar das orientações do Ministério da Educação e dos nutricionistas para optar por produtos da região, as regras de contratação obrigam a procedimentos que por vezes tornam impossível escolher os agricultores da terra.

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