Num artigo de opinião publicado esta terça-feira, 1 de janeiro, no jornal norte-americano Washington Post, Mitt Romney, o senador republicado do Utah, candidato presidencial em 2012, não poupa críticas a Donald Trump.

Assumindo que Donald Trump não era a sua escolha para candidato do partido às eleições presidenciais de 2016, Romney assume que as nomeações de Rex Tillerson, Jeff Sessions, Nikki Haley, Gary Cohn, H.R. McMaster, [John F.] Kelly e [Jim] Mattis foram "encorajadoras". No entanto, a conduta de Trump "nos últimos dois anos, e particularmente as ações que tomou este mês, são prova de que o presidente não está à altura do cargo", considera.

Romney refere-se em particular à demissão do secretário da defesa Jim Mattis e do chefe de gabinete John F. Kelly.

Apesar de reconhecer que "nem todas as políticas do presidente foram erradas" — nomeadamente no que diz respeito a impostos para as empresas, a enfrentar as políticas "injustas" de comércio da China, a reforma do sistema judicial ou a nomeação de juízes conservadores para o Supremo —, Romney critica o comportamento de Trump e a sua abordagem à política internacional.

"A presidência molda em grande medida o caráter de uma nação. A presidência deve unir-nos e inspirar-nos a segui-la. Uma presidência deve demonstrar as qualidades essenciais da honestidade e integridade, e elevar o discurso nacional com cortesia e respeito mútuo. Como nação, fomos abençoados com presidentes que clamaram pela grandeza do espírito americano. Com a nação tão dividida, ressentida e zangada, a liderança presidencial na qualidades de caráter é indispensável. E nesta área o défice o incumbente [numa referência a Trump] é mais evidente", escreve o senador republicano.

E Romney avisa: "o mundo está a olhar". Para o senador "as palavras e ações de Trump causaram desânimo em todo o mundo. Em 2016, uma sondagem do Pew Research Center mostrava que 84% das pessoas na Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Suécia acreditavam que a presidência americana faria o certo na política internacional. Um ano depois, esse número caiu para 16%", refere.

Este desânimo tem lugar numa altura de conturbação social na Europa, em que vários estados ex-soviéticos repensam o seu compromisso com a democracia, em que nações asiáticas, como as Filipinas, se inclinam cada vez mais para a China, enumera. "A alternativa à liderança dos Estados Unidos no mundo oferecida pela China e pela Rússia é autocrática, corrupta e brutal", escreve. "O mundo precisa da liderança americana, e é do interesse da América providenciar isso", reitera.

Para Mitt Romney, os Estados Unidos só podem "reassumir a sua liderança na política mundial" depois de resolverem as falhas na política interna. "Esse projeto começa, claro, com o mais alto dos gabinetes [numa referência à presidência] a agir novamente para nos inspirar e unir. Isso inclui partidos políticos capazes de promover políticas que nos fortalecem em vez de promover tribalismos e explorar medos e ressentimentos", defende.

A par, escreve, a "América é mais forte quando está de braço dado com outras nações. Queremos uma Europa unida e forte, e não uma união que se está a desintegrar. Queremos relações estáveis com as nações da Ásia, que fortalecem a nossa prosperidade e segurança mútuas", defende.

Apesar das críticas, o senador republicano diz-se "otimista com o futuro", mais particularmente com a excelência dos norte-americanos, e faz um compromisso: "[como senador] agirei como agiria com qualquer presidente, seja ele ou não do meu partido: irei apoiar políticas que acredito serem do interesse do país e do meu estado [Utah], e irei opor-me àquelas que não o sejam. Não pretendo comentar cada tweet [numa referência ao meio de comunicação preferencial de Trump], mas levantarei a voz contra declarações ou ações significativas que promovam a divisão, sejam racistas, sexistas, anti-imigração, desonestas ou destrutivas para a instituições democráticas".

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