O resultado deste trabalho deu origem a uma exposição sobre a simbologia da arte funerária, realizada em conjunto com a Junta de Freguesia de Esgueira, que se encontra patente no cemitério local.

Fernando Oliveira, gerente da agência funerária Gamelas, decidiu chamar-lhe “o som das pedras”, porque diz que elas “têm alguma coisa para nos dizer”.

“Estes símbolos existem, estão cá, mas as pessoas não os conhecem. Então achámos por bem que as pessoas soubessem que tipo de significado estão nos cemitérios”, disse à Lusa Fernando Oliveira.

Saber que uma coroa de flores com a saudade, a perpétua e a papoila significa “saudade perpétua de alguém que dorme” ou que uma coluna quebrada simboliza que “alguém não deixou descendentes ou morreu jovem” são informações que ajudam a “decifrar” a simbologia existente, principalmente nos túmulos mais antigos.

“Antigamente toda a gente sabia isto. As pessoas não sabiam ler, então isto seria a identificação dos sentimentos das pessoas”, explicou Fernando Oliveira.

Outro dos objetivos desta iniciativa é chamar a atenção para o estado em que se encontram algumas peças e apelar à sua recuperação.

“Com o tempo algumas esculturas vão perdendo a definição. Dificilmente aparece alguém a restaurar”, observou o responsável, que espera que as pessoas comecem a recuperar este tipo de arte.

Atualmente, existem 32 placas informativas espalhadas pelo cemitério, mas Fernando Oliveira pensa aumentar para o dobro dentro de pouco tempo.

O agente funerário acredita que os cemitérios deveriam ser vistos como autênticos museus a céu aberto e não só como destinos tristes e que devem ser evitados a todo o custo.

“Quisemos que outras pessoas vissem a importância do cemitério, esse núcleo museológico que existe dentro de cada cemitério. É uma fonte de cultura, não só das esculturas, mas também das pessoas que foram importantes para a cidade de Aveiro”, afirmou.

A presidente da Junta de Esgueira, Ângela Almeida, não esconde a satisfação por esta iniciativa, adiantando que se trata de uma aposta da autarquia no turismo funerário, mas admite que no início tiveram “alguns receios”.

“Quisemos ser arrojados. Mas viemos um bocadinho com olhos fechados e sem sabermos bem como é que ia acontecer. Achamos que era interessante e importante mostrar o outro lado da morte, este lado da arte que a morte tem”, referiu.

Garante que as pessoas têm correspondido muito bem e que os resultados estão a superar as expectativas.

“As pessoas estão muito interessadas e algumas delas ficam bastante felizes por perceber que cada coisa que está aqui dentro, cada motivo, tem uma simbologia”, contou a autarca.

A afirmação é confirmada por Emídio Ribeiro, coveiro no cemitério há 11 anos: “Quando é por exemplo aos sábados, as pessoas vão ver as placas todas”.

Maria Helena, de 70 anos, que se deparou pela primeira vez com esta iniciativa durante uma visita à campa da afilhada, diz ter ficado agradavelmente surpreendida.

“Isto é maravilhoso. Já conhecia o significado de alguns símbolos. Outros nem tanto. Já aprendi alguma coisa hoje”, afirmou.

(Por: José Duarte Neves da agência Lusa)

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