“Dependendo do nível de investimento que o Governo Regional quer fazer na região, dependendo do número de recursos e da aposta que se quer fazer no mar, talvez se justifique adquirir um navio oceanográfico que esteja disponível para todas as instituições regionais”, afirmou o responsável.

Rui Caldeira vincou que esta foi a opção tomada pela Região Autónoma dos Açores, pelo que a Madeira poderia seguir o exemplo, considerando que “não há informação oceanográfica na região com protagonistas regionais”.

O Observatório Oceânico da Madeira, organismo que faz parte da Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação Tecnologia e Inovação, apresentou hoje os resultados de uma campanha oceanográfica, que decorreu entre julho e agosto e que foi a primeira totalmente organizada por investigadores madeirenses.

“O grande desafio era percebermos qual é a interação da zona costeira em relação ao mar aberto, para perceber, por exemplo, como é que infraestruturas de aquacultura, marinas, portos podem beneficiar desta informação”, explicou Rui Caldeira, realçando que a campanha contou com a participação de dois navios, um fretado em Espanha e outro pertencente ao Instituto Hidrográfico da Marinha.

“Esta foi a primeira vez que conseguimos organizar uma campanha de índole internacional com marca Madeira”, realçou, lembrando que as grandes campanhas oceanográficas na Madeira ocorreram entre 1979 e 1984 e, depois, apenas mais uma em 2014, conduzida por cientistas alemãs.

Trinta investigadores do Observatório Oceânico da Madeira participaram ativamente no projeto, orçado em 200 mil euros e financiado pela União Europeia, através do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

“Os dados da campanha ainda estão em bruto, mas nota-se claramente uma diferença entre a dinâmica costeira e a dinâmica off shore”, disse Rui Caldeira, sublinhando que é já possível concluir que a descarga de afluentes num determinado local pode afetar as áreas turísticas e portuárias ao longo de toda a costa.

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