O nome Dirk Obbink, um dos mais conhecidos investigadores sobre temas do mundo clássico, foi apontado numa investigação à equipa envolvida no projeto Oxyrhynchus Papyri. Obbink está a ser acusado de ter vendido sem autorização uma série de fragmentos antigos à cadeia norte-americana Hobby Lobby, cujos donos, evangélicos, estão por trás do Museu da Bíblia, em Washington, nos Estados Unidos.

Num comunicado citado pelo britânico ‘Guardian’, a Egypt Exploration Society [EES, Sociedade de Exploração do Egito], que gere o projeto Papyri, diz que o Museu da Bíblia indicou ter comprado 11 fragmentos, que lhe foram vendidos por Dirk Obbink, em dois lotes, há nove anos.

Segundo o mesmo jornal, a sociedade confirmou que Obbink está a ser investigado. Porém, o diário acrescenta que continua a estar empregado na universidade.

No passado, Dirk Obbink negou outras acusações de que teria vendido um fragmento do primeiro capítulo do evangelho segundo S. Marcos à Hobby Lobby. Na altura, o incidente levou a Egypt Exploration Society a retirá-lo da posição de editor-geral do projeto Papyri.

E em junho deste ano, Obbink perdeu mesmo o acesso à coleção da Egypt Exploration Society, “até à clarificação satisfatória do contrato de 2013” para a venda de outro fragmento, disse aquela organização ao ‘Guardian’. “A Universidade de Oxford está agora a investigar, com [a ajuda da sociedade], a retirada das instalações da universidade e alegada venda de textos [da sociedade].”

Esta nota citada pelo diário britânico acrescenta ainda que a documentação sobre os fragmentos desaparecidos foi também retirada: “estes textos foram levados sem autorização da EES, e, na maioria dos 13 casos, o cartão de catálogo e a respetiva fotografia também estão desaparecidos.”

O comunicado surge depois de intensas investigações a uma história do ‘Daily Beast’, que no início do ano falava na possibilidade de Dirk Obbink ter vendido um valioso fragmento do evangelho segundo S. Marcos à Hobby Lobby e à família Green, que está por trás do projeto do Museu da Bíblia.

Em causa, uma publicação do investigador Brent Nongbri, num blogue. O académico do Novo Testamento revelava um e-mail enviado por Michale Holmes, do Museu da Bíblia, onde este parece confirmar que “Obbink vendeu [o fragmento do evangelho segundo S. Marcos] e outros três alegados fragmentos do evangelho à coleção Green”, acrescentando uma cópia do contrato, revela o ‘Guardian’.

Nongbori diz que toda a situação é “inacreditável”, mas chama a atenção para o facto de a real dimensão do caso ainda não ser clara: “mais itens podem muito bem ter sido igualmente vendidos à Hobby Lobby”, disse, no início desta semana.

A EES diz que há treze peças suas na coleção do Museu da Bíblia. Num comunicado, o museu de Washington disse que as antiguidades foram “vendidas ilegalmente” por um “perito conhecido”, acrescentando que dos 13 itens identificados pela EES, apenas quatro eram do museu. Os restantes pertencem à Hobby Lobby, como parte da coleção Green.

O museu e a família Green têm andado sempre envoltos em polémicas do género. A família descreve a sua coleção como uma das maiores do mundo, com grande parte exposta no Museu da Bíblia. Porém, há quem conteste a origem de algumas aquisições.

Em junho de 2017, lembra o jornal, a Hobby Lobby Stores teve de pagar uma multa de três milhões de dólares por importar ilegalmente milhares de artefactos iraquianos, que vinham com etiquetas falsas e foram enviados a partir dos Emirados Árabes Unidos e de Israel.

Noutra controvérsia, o museu foi obrigado a retirar cinco fragmentos de documentos que foram descritos como parte dos manuscritos do mar Morto, após os fragmentos terem sido identificados como falsificações modernas.

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